Esta semana, minha mulher e minha filha, que são minha companhia em casa, saíram para compromissos. Fiquei sozinho um tempinho. Pude refletir sobre isso. Como é ficar um tempo, um tempinho que seja, longe de quem são os “nossos próximos”. De algum modo vamos nos tornando seus dependentes. Essa ligação vai se fazendo básica na nossa vida. A nossa Família.
E aos nossos parentes vão se juntando uns amigos com quem vamos convivendo, diariamente mesmo ou não. A proximidade vai se realizando e dominando o espaço da nossa mente. Assim igualmente com uns dos nossos colegas, de trabalho, de estudo, ou outra atividade. Vamos nos juntando mais e mais.
Isso tudo vai se fazendo na vida da gente na continuidade, sem planejamento. Não é exatamente por acaso, mas não é coisa tramada. Vai se fazendo pela própria natureza em que nos construímos como gente ao longo do tempo. O ser humano precisa viver com os demais. Ser humano solitário é um mal, isso mesmo, solidão nos faz sofrer.
Muitas vezes nos damos conta de que os nossos próximos não são exatamente parecidos conosco. Muitas vezes nos achegamos mesmo aos que se exibem diversamente ao nosso modo de ser. Essa é uma das atrações, com certeza, já nos apercebemos ao longo da nossa vida. Já nos reconhecemos opostos até mesmo com alguns dos nossos próprios irmãos de sangue. Como já nos sentimos idênticos a pessoas que fomos conhecendo no nosso percurso.
Certa vez me identifiquei muito com um Poeta de outro País, de outro idioma. Sua escrita era uma forma muito próxima da minha. E fui sabe mais de sua vida. Outra descoberta, ele tinha visões, tinha gostos, muito diversos dos meus. Talvez não me aproximasse dele como pessoa. Não seria, muito provavelmente um dos “meus próximos”. A vida é mesmo estranha...
A nossa vida vai se modelando ao longo do tempo. E nos damos conta de ser muito especial quando nos apercebemos do tanto que vivenciamos de bom e de mau pelo caminho que percorremos, junto a outros ou não.
Tive as minhas tantas felicidades pelo percurso a que me propus e sigo. Uns tantos sorrisos se abriram a minha frente e me exibem alegrias. Tentei repassar essas tantas satisfações aos outros que por uns instantes ou mais se dispuseram a estar próximos desse meu percurso.
Talvez nem nos demos conta de chegar ao fim do nosso caminho. Na verdade o que nos damos conta é do percurso a seguir adiante. Mas, como deixar de reconhecer que um caminho pode ter muitas alamedas onde se expõe gente com quem nos identificamos? Esses “nossos próximos” vão sendo identificados lentamente, sei bem, mas vão se expondo uns passos depois de outros passos nesse nosso seguir. E nos servimos deles também para aprimorarmos o nosso jeito de nos comportarmos, o nosso jeito de agirmos, o nosso jeito de ser.
Temos de atentarmos para não afastarmos alguns dos nossos próximos com condutas desmedidas. Miramos a frente, mas temos de considerarmos também o que vai se mostrando ao nosso lado. Avante!