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Que sejamos justos!

28 julho 2024 - 08h00 Por Gabriely Machado
Que sejamos justos!

O que você faz diante de uma injustiça? Neemias é um exemplo, quando se trata de reconhecer o próprio erro e fazer o necessário para consertá-lo. No capítulo 5 do livro de Neemias vemos a reconstrução dos muros de Jerusalém caminhando a todo vapor, com todos bem envolvidos na obra. Todavia, um grupo reclamou que estava havendo injustiça - os mais abastados estavam explorando os mais desfavorecidos. Ao tomar conhecimento do fato, Neemias não se omitiu. "Quando eu, Neemias, ouvi essas queixas, fiquei zangado e resolvi fazer alguma coisa. Repreendi as autoridades do povo e os oficiais e disse: - Vocês estão explorando os seus irmãos! O que vocês estão fazendo é errado!" (Neemias 5:6-9) Diante da injustiça, Neemias não se calou. Agiu imediatamente, exigindo a reparação do erro. Como governador, mesmo de uma terra devastada, Neemias pertencia à elite. Ele mesmo se incluiu no grupo dos opressores e se propôs a mudar de prática. Ele também cobrava juros. A visão que ele tinha da grande obra que deveria ser feita não o impediu de reconhecer publicamente o seu próprio erro, o que é raro nos dias atuais. Ao receber alguma acusação, a maioria opta por negar a culpa, apresentando justificativas para o comportamento indevido. Neemias era um homem sincero. A partir do reconhecimento de sua falha grave, ele manifesta em suas orações a confiança na bondade e fidelidade do Senhor. "Não, não somos tão bons quanto imaginamos! Também temos pés de barro." Ouso afirmar que algumas leis são injustas. O sistema legal é feito pelas elites, a fim de proteger a própria elite. As leis precisam ser aperfeiçoadas ou modificadas com o tempo. A justiça do homem, portanto, é falha, porque é baseada em intenções, perspectivas e conceitos limitados. Os tribunais funcionam com base em provas, autos processuais, que são produzidos por homens. Na justiça divina, o Juiz, que é Deus, tem diante de Si todas as provas, claras, fidedignas, inquestionáveis, irrefutáveis, a partir das quais Ele determina os seus juízos. Somente Ele tem a perfeita condição de nos saciar com a Sua justiça. Esse posicionamento de Neemias diante de uma injustiça nos traz alguns ensinamentos. O primeiro deles é que não devemos nos conformar com a injustiça. Lutemos por justiça, façamos a nossa parte como cristãos, como cidadãos. O segundo ensinamento é que os líderes não conseguem ver tudo o que acontece no entorno deles. Não conseguem enxergar todas as dificuldades e deficiências. Então, bem fazem quando são humildes o suficiente para ouvir, avaliar, acatar ou não, bons conselhos, sugestões e reivindicações. Nesse caso, Neemias não apenas ouviu a reclamação dos mais pobres, que estavam sendo explorados pelos próprios patrícios, como também reconheceu o seu erro e fez com que os opressores enxergassem a realidade do que estava acontecendo. Em seguida, indicou o caminho para a correção da injustiça. "As autoridades responderam: - Está bem. Nós vamos fazer o que você está dizendo. Vamos devolver as propriedades e não vamos cobrar as dívidas". (Neemias 5:9-13) Eles juraram que cumpririam o que haviam dito. Louvaram a Deus, o Senhor. E cumpriram, de fato, a promessa que haviam feito. Aprendemos também com Neemias que as mudanças passam por um processo de convencimento e envolvimento na resolução do problema. Finalmente, aprendemos que devemos amar a justiça da mesma forma que Deus a ama. Amar a justiça é promover e praticar a justiça. Se Neemias tivesse se calado diante da injustiça, a sua história de grande líder ficaria manchada! Toda mudança deveria começar em nós. É no nosso dia a dia. Por mais que lutemos por justiça, entretanto, nesse mundo aqui nunca seremos plenamente saciados. Assim, quando a justiça humana falhar, podemos ter a certeza de que Deus fará a justiça por nós. No Sermão do Monte, Jesus ensina que aqueles que têm fome e sede de justiça serão fartos. (Mateus 5:6) Há muitos acontecimentos nesse mundo que nos podem levar à revolta, tornando-nos insensíveis e vingativos, se olharmos os fatos pela perspectiva humana. É preciso Deus para endireitar o nosso coração!