terça-feira 29 de setembro de 2026 Logo Rede DS Comunicação

Assine o Jornal impresso + Digital por menos de R$ 34,90 por mês, no plano anual.

Ler Jornal Assine
Jornal Diário de Suzano
Envie seu vídeo (11) 4745-6900
Sueli Barão

‘Aba’

11 agosto 2024 - 08h00 Por Gabriely Machado
‘Aba’

As novas gerações têm "fome" de pai. A ausência física e emocional da figura paterna tem trazido às crianças e aos adolescentes efeitos devastadores. As novas gerações têm um sentimento forte de orfandade. Mesmo com pais fisicamente presentes, a correria do mundo atual, o acesso fácil às redes sociais, ao mundo virtual, tudo isso faz com que pais e filhos interajam pouco. Poucos pais reservam intencionalmente tempo para brincar, sair, conversar com os filhos. Os pais não têm conseguido dispensar tempo para o ensino, educação e correção dos filhos. Falta acompanhamento da vida dos filhos. Em razão disso, muitos pais tentam suprir essa falta com coisas materiais. Dão o brinquedo, mas não brincam com os filhos! É sabido que o ser humano tem a necessidade de pertencimento. "Tenho uma família, tenho pais que me amam e se importam comigo". Isso influencia no desenvolvimento de uma criança, na construção de sua autoestima. Os pais são os primeiros referenciais de uma criança. E a ausência da figura paterna pode desencadear muitos problemas emocionais. O amor de um pai deveria ser parecido com o amor de Deus, o nosso Pai. Deus é Pai, que ama, protege, corrige, ensina os seus filhos, gasta tempo com eles, exatamente porque os ama. 
"ABA" (papai), que na língua aramaica expressava uma relação íntima e de completa dependência do filhinho em relação ao seu papai, foi o termo usado por Jesus para se referir a Deus. (Marcos 14:36) No momento de grande angústia e aflição, no Getsêmani, prestes a enfrentar a cruz, Jesus recorreu a seu papai, que não o livrou da cruz, mas fortaleceu o seu espírito para enfrentar todo o sofrimento que viria pela frente. Na parábola do Filho Pródigo, o filho sabia que tinha para onde voltar, para a casa de seu pai, o seu lugar de pertencimento. Ele julgava que pelos seus malfeitos não era mais digno de ser chamado de filho. Precisava experimentar o amor incondicional de seu pai, que o recebeu cheio de amor, com honras e festa, porque o seu filho amado, que estava perdido, havia voltado ao lar! Que alegria para aquele pai! Que boa surpresa para aquele filho! Nessa parábola vemos a expressão do amor de Deus, que nos ama sempre, quer reconheçamos ou não o seu amor. O pai amoroso da parábola respeitou a decisão do filho. Podemos imaginar o quanto a ação do filho machucou o coração daquele pai. Mas ele não desistiu do filho. Dia após dia ficou aguardando o retorno dele, até que, finalmente, chegou o grande dia! O filho perdido havia feito dessa vez a escolha certa, voltando ao lar, retornando para os braços de seu pai! Ele não era órfão! Ele tinha um pai de verdade! Essa parábola, contada por Jesus, fala muito mais sobre o caráter do pai do que sobre os erros do filho. O valor que temos para Deus não está vinculado ao nosso merecimento. Na verdade, nada merecemos. Tudo vem em razão do amor e da graça de Deus! 
Há alguns anos li essa história, que muito me tocou, em um livro. "O menininho acordava à noite e gritava: - "Papai, papai, segure minha mão, tenho medo do escuro". O pai ia até a cama do filho, acendia a luz, segurava fortemente as mãozinhas do menino e ficava ali até que o filho voltasse a dormir. O menininho queria apenas saber se ele estava por perto. Os anos se passaram, o menino cresceu, o pai morreu, e o menininho, agora um homem, já tinha a sua própria família. E tal como o pai sempre fizera desejou estar perto de seus filhos. Não apenas um nome na certidão de nascimento, mas uma presença forte, calorosa e amorosa em suas vidas". O maior bem que os pais podem deixar para seus filhos é o amor. Só o amor é para sempre!