Na Estação Butantã do Metrô há uma armação feita com hastes de ferro um pouco mais grossas que arame em forma de garrafa colocada rente à parede ao final de um lance de escadas rolantes. É feita de tal modo que se observa seu interior cheio de garrafas plásticas vazias. Na parede há um painel indicando a quantidade de plástico no fundo do mar, segundo o qual o Brasil produz 6,67 milhões de toneladas de plástico por ano das quais 87% são embalagens e 13% são produtos descartáveis (seja lá o que isso signifique). O número mais alarmante é que 2,95 milhões de toneladas da produção é de plásticos de uso único como sacolas plásticas, embalagens de alimentos e canudinhos. Outra informação é que 70% dos resíduos encontrados em limpezas de praias no Brasil é plástico. Enfim, há uma série de outras informações. Grosso modo, pretende-se chamar atenção para o consumo excessivo de plástico de uso único.
Em 2019, a revista National Geographic Brasil publicou uma reportagem chamada "Mar de Plástico" segundo a qual, a produção mundial de plástico passou de 2,1 milhões de toneladas em 1950 para 147 milhões de toneladas em 1993 e 407 milhões de toneladas em 2015. De todo plástico historicamente produzido, 40% são usados uma única vez e cerca de 8 milhões de toneladas acabam anualmente nos mares.
Nos anos 1980, lembro-me que arroz e feijão, por exemplo, eram vendidos a granel, pesados na hora e embalados em sacos de papel; o café era moído na hora e também embalado em saco de papel. Para a compra de cerveja e refrigerante, levava-se a garrafa vazia (casco) para o supermercado, armazém, bar. Atualmente, usa-se plástico para acondicionar a maior parte dos refrigerantes e a garrafa de vidro das cervejas não é trocada, mas simplesmente descartada. Ainda nos supermercados não havia sacola plástica: ou levava-se sacola de lona ou arrumava-se toda a compra em sacos de papel.
Na Livraria Musicultural, em Suzano, livros e material escolar eram embalados em papel de rolo ou em jornal e fixados com fita adesiva (durex). Era a prática do comércio em geral.
Atualmente, a maior parte das embalagens é feita de plástico e tem uso único. Ainda segundo a reportagem da National Geographic Brasil, as sacolas plásticas tem vida útil de apenas 15 minutos.
Não se trata de condenação sumária do uso do plástico, presente em quase tudo que vemos. Trata-se entretanto, da urgência em rever seu indiscriminado uso único e descarte imediato. Como a Política Nacional de Resíduos Sólidos, apesar de definir princípios importantes quanto ao uso e descarte dos mais diversos materiais, ainda não está completamente regulamentada, é preciso que se pense em medidas locais tanto em termos de incentivos, educação e negociação quanto em termos de coerção que possibilite a redução do consumo de plástico descartável e de uso único e que essas medidas envolvam produtores, comerciantes e o público em geral.



