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Jornal Diário de Suzano - 16/01/2021
COLUNA

Eduardo Caldas

Foi candidato a prefeito em Suzano em 2004. É professor de Gestão Políticas Públicas na USP

O desafio de coordenar ações de governo frente à Pandemia

13 MAI 2020 - 23h59
No início dos anos 2000, um professor de gestão de políticas públicas solicitou a seus alunos que se organizassem em pequenos grupos, distribuiu um jogo eletrônico para os grupo, pediu que cada grupo se responsabilizasse por uma área do setor público e finalmente combinou uma entrega de relatório de desempenho setorial por grupo a cada 15 dias.
O jogo era o "Sim City" que simulava a construção e a gestão de uma cidade administrada pelo jogador. O jogo não tinha fim porque as cidades são dinâmicas e estão em construção permanente. O jogo permitia que as cidades tivessem usinas de energia elétrica, delegacias de polícia, corpo de bombeiros, zonas residenciais, comerciais e industriais. Para a aquisição de cada serviço ou equipamento o gestor precisava pagar o fornecedor e então precisava instituir política tributária. O jogo também contingenciava o gestor a situações tais como excedente populacional, explosão nuclear, apagão, congestionamentos e terremotos.
Cada grupo então construiu sua cidade tendo como foco um setor específico sob sua responsabilidade: transporte, abastecimento de água, saneamento básico, fornecimento de energia elétrica, dentre outros. Assim, determinado grupo responsável por fornecimento de energia elétrica simulava o jogo focado em seu tema. O problema é que para ampliar o sistema energético municipal era preciso aumentar a arrecadação, mas o grupo não podia fazer política tributária porque não era da sua alçada, da sua responsabilidade.
O resultado, depois de seis relatórios quinzenais, é que as cidades dos diversos grupos estavam cheias de problemas. E por que isso ocorria invariavelmente? Porque as muitas situações que ocorrem na vida social, na cidade, estão absolutamente conectadas e se cada um responsabilizar-se, no interior do setor público, única e exclusivamente por sua área sem observar as demais, os problemas só irão aumentar.
Lembro disso neste momento em que o mundo passa por uma pandemia porque embora se trate de um problema sanitário sua repercussão abrange as mais variadas áreas da vida coletiva e da gestão pública.
Assim, prefeitos, governadores e presidente da República, não só precisam conversar entre si, mas precisam também organizar seus respectivos comitês de "combate à pandemia" para pensar por um lado, formas reduzir o ritmo dos contágios e ao mesmo tempo criar alternativas econômicas para diferentes grupos sociais priorizando os mais vulneráveis, criar alternativas para a situação escolar reconhecendo as consequências psicológicas do isolamento social e não somente o conteúdo programático, pensar no abastecimento de água e de alimento, dentre outros.
É uma típica situação que demanda o reconhecimento da interdisciplinaridade, exige a ampla participação dos diversos setores do governo e da sociedade civil, articulados, minimamente integrados, dispostos a construir pontes e diálogos entre si e pressupõe capacidade de coordenação dos governos.
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