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Jornal Diário de Suzano - 23/01/2022
COLUNA

Eduardo Caldas

Foi candidato a prefeito em Suzano em 2004. É professor de Gestão Políticas Públicas na USP

Por que não um Boicote?

04 MAR 2020 - 23h59
Há aproximadamente duas semanas, em São Paulo, passando em frente a um supermercado Pão de Açúcar, deparei-me com um grupo de quatro mulheres e uma gaiola de granja entupida de galinhas de pano indicando as péssimas condições de vida dos galináceos engaiolados.
As mulheres distribuíam um panfleto assinado pela "Mercy for Animals", Organização Não Governamental de ação internacional que tem como missão disseminar a compaixão pelos animais, "construir um sistema alimentar compassivo, reduzindo o sofrimento e terminando com a exploração animal para servir-nos de alimento".
No panfleto tinham três parágrafos: uma denúncia, um argumento de sensibilização e um pedido de apoio.
A denúncia era contra o referido supermercado Pão de Açúcar que há mais de três anos não assume compromisso de "parar por completo com a comercialização de ovos de galinhas confinadas em gaiolas" sendo que seus maiores concorrentes como o Carrefour e o Grupo BIG já o fizeram.
O argumento era de compaixão: "o confinamento de galinhas em gaiolas para produção de ovos é uma das práticas que mais causa sofrimento aos animais".
O pedido de apoio era no sentido do consumidor exigir atitude do Grupo Pão de Açúcar, pedindo à empresa que anunciasse "um compromisso de parar por completo de comercializar ovos dessa terrível procedência.
O ato de sensibilização me trouxe à mente duas reflexões: uma pedagógica e outra sobre a prática do boicote.
Sobre a pedagogia, diz respeito à não exigência de antemão do fim do uso dos ovos, do leite, da carne animal na refeição humana. Pede-se tão-somente que se garanta às galinhas uma vida menos confinada, menos sôfrega, mais livre, mais harmoniosa. É portanto uma espécie de pedagogia da aproximação, do passo-a-passo. Não trata do abate para o caso das "galinhas de corte", circunscreve-se às "galinhas poedeiras", não usa sequer essa distinção agressiva e comercial ("de corte" e "poedeira"), não fala do sequestro dos "produtos" animais (ovos, leite e mel). Enfim, sensibiliza-se para as péssimas condições de vida das galinhas e traz de forma subliminar o tema da compaixão que pouco a pouco vai sensibilizando os indivíduos a reduzirem o consumo de proteína animal.
Sobre o boicote, vale lembrar sua origem. Termo cunhado na Irlanda em 1880, diz respeito ao ato de se recusar a colaborar, abster-se voluntária e intencionalmente de usar, comprar ou lidar com uma pessoa, organização ou país como expressão de protesto, discordância, geralmente por razões políticas e ideológicas.
A palavra vem do sobrenome do capitão irlandês Charles Boycott, capataz de Lord Erne. Em 1880, diante de uma colheita fraca, Lord Erne ofereceu a seus arrendatários, por intermédio de seu capataz, a redução de 10% sobre o que cobrava pela renda da terra. Os arrendatários queriam a redução de 25% e, assim, instaurou-se um impassse. Então, Boyott tentou expulsar 11 arrendatários. Em solidariedade aos arrendatários, foi proposto por Charles Parnell que ninguém aceitasse substituir um arrendatário despejado. Aos poucos, em solidariedade aos despejados, alguns comerciantes também deixaram de fazer negócios com Boycott e até o agende do Correio deixou de entregar-lhe cartas. O repórter do New York Tribune, James Redpath, foi o primeiro a usar o termos boicote como uma espécie de isolamento do "adversário".
No caso do ato da "Mercy for Animals" em frente ao Pão de Açúcar, vejo claramente a dimensão pedagógica e de sensibilização aos consumidores com relação à compaixão animal e não consigo perceber um boicote ao supermercado denunciado no panfleto. Por que não propor um boicote?
UMC
CENTRO MEDICO INFLUENZA

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