São quatro anos de expectativa, de observar treinos, de imaginar se este ou aquele jogador estará bem preparado para enfrentar os times adversários.
Treinadores se revezam, são trocados e parece que suas instruções não são suficientes para que aquele time chamado canarinho se aperfeiçoe o suficiente.
Teve um tempo que não buscávamos treinadores em outros países, eram todos desta terra magnífica e cheia de encantos, os jogadores vinham de vidas pobres, mas, cheios de sonhos, queriam jogar futebol, queriam ver o seu time vencedor e na copa do mundo desejavam ver seu país brilhar, foi assim que conquistamos o pentacampeonato.
Lembro do meu pai torcendo muito na copa de 1958, na de 1962 e eu não entendia nada daquela movimentação, só percebia a empolgação das pessoas, a brasilidade se expandia e atingia todos, uma febre benigna de alegria e muita emoção.
Em 1970 eu entendi o que era aquela movimentação, o seu significado, a televisão preto e branco na sala nos mantinha atentos aos movimentos dos jogadores num outro país com a certeza de que iriamos sair vitoriosos.
Segurávamos a respiração, nos emocionávamos com os dribles, era um futebol livre, cheio de graça e artimanha, cada jogador com sua técnica e malandragem e os adversários ficavam perdidos com a criatividade daqueles meninos vestidos de camisa verde e amarela, a rapidez, a agilidade e os gols emocionantes.
Era um tempo que os meninos cresciam querendo representar as nossas cores, jogavam nos times brasileiros e não ficavam milionários, ganhavam bem, tinham conforto e muita vontade de vencer.
O tempo passou e os times do exterior cobiçavam aqueles meninos cheios de energia e amor pela pátria que faziam uso dos seus pés para driblar a bola, fazer o encanto da torcida.
Os times passaram a pensar no ganho financeiro e começamos a exportar nossos meninos prodígios, com sua garra e vontade de vencer ganharam títulos para clubes que não conhecíamos, viraram ídolos em outras terras, longe do nosso povo, com outra cultura, outra língua e com as contas nos bancos aumentando os valores depositados. Aprenderam o que era o luxo, carros de marca, casas imponentes, barcos, jatinhos e festas fabulosas... Atraíram lindas companheiras, mas com nenhuma delas formavam uma família amorosa e permanente, tudo se tornou passageiro.
Em 2002 nossos últimos jogadores com garra foram para a copa e nos trouxeram o pentacampeonato... Nossa derradeira alegria no futebol, desde aí não temos mais o jogo faceiro que nos levava a vitória.
Os uniformes ganham padrões internacionais, desenhados por estilistas famosos, os jogos arrecadam muito com publicidade e exposição de cada jogador, entretanto, o futebol cheio de encanto desapareceu.
Fazemos chacota de outros times de países que não vencem no gramado, imaginamos que ainda temos a melhor seleção de jogadores, pintamos e enfeitamos nossas ruas, nos reunimos para torcer e rezar para que a vitória venha, mas não somos ouvidos por aqueles que nos representam nos gramados bem tratados, parecem alheios, suas jogadas não tem nenhum encanto, não driblam como antigamente como faziam aqueles homens mais simples, os canarinhos, são companheiros dos adversários e parece que não querem magoa-los...
Então muitos de nós com lágrimas verdadeiras e doloridas vemos o fim do jogo, sem encanto, sem alegria e a volta dos jogadores para casa, prometendo um melhor resultado para daqui quatro anos...



