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Jornal Diário de Suzano - 23/06/2026
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Coluna

Japoneses no Brasil

23 junho 2026 - 05h00

Dia 18 passado foi comemorado 118 anos da imigração japonesa, a chegada no Brasil do navio Kasato Maru...
Quando criança, sem entender muito da existência de outros países e outros povos ouvia falar do japonês tintureiro, figura simpática de poucas palavras que andava numa bicicleta que transportava um varal cheio de ternos bem passados, entregava uns e pegava outros, recebia o pagamento e pronunciava "arigato" e seguia seu caminho... Eu ficava imaginando o significado daquela palavra, afinal meu pai respondia também com ela e entreva carregando os cabides com os ternos para minha mãe guardar.
Numa determinada época mudamos para Mogi das Cruzes, cidade que vinha com certa frequência visitar minha bisavó que também era descendente de oriundos da Alemanha, para mim não tinha muito significado a não ser pelo forte sotaque e a pronúncia do "erre" mais fortalecido nas palavras, minha avó quase não tinha sotaque e minha mãe falava perfeitamente a nossa língua, apesar de nos encontros com elas conversar em alemão com perfeição.
Nesse tempo passei a frequentar a escola e nela conheci muitos outros japoneses, o olho puxado o sorriso sempre presente, a amizade sincera, as mãos normalmente calejadas, pois, desde pequenos ajudavam na colheita das frutas e legumes plantados pelos pais.
Como também tinha minhas obrigações caseiras, nessa época não aprofundamos muito a amizade, saiamos da escola direto para casa, onde os deveres de casa e a ajuda nos afazeres domésticos nos ocupavam boa parte do dia, para livres depois podermos brincar com os irmãos mais novos, aproveitando para cuidar deles, uma maneira simples de ajudar nossa mãe...
O progresso escolar nos levou ao curso ginasial, onde as amizades se aprofundaram, os amigos mais íntimos eram os netos dos alemães que frequentavam nossa casa junto com seus pais e avós para deliciosos cafés da tarde, sempre com muitas guloseimas que faziam nossa alegria.
Passamos a conviver mais com os colegas filhos de japoneses e muitas vezes íamos também participar da colheita do caqui, do pêssego, do tomate e ajudar molhar os extensos canteiros de verduras, a retribuição era sempre poder saborear e até levar alguns desses produtos para casa, além de aprofundar a amizade, que foi se tornando mais sólida com o passar dos anos. 
Com o tempo deixamos de ver japoneses como tintureiros, passamos a encontrá-los no mercado nas bancas de frutas e verduras, nas feiras livres, no comércio em geral e nos consultórios médicos e dentários, inclusive na faculdade de Direito, onde meu melhor amigo tinha nome bem diferente... Kasuo...
Passei a conviver com japoneses lá na infância e prossegui pela vida com amigos de olhos puxados e sorriso franco, convivia com suas famílias, simples e tímidas no princípio e que com o passar do tempo nos recebia como se fossemos também filha deles.
Aprendi saborear as comidas típicas deles e eles as comidas da minha bisavó e depois da avó. O peixe assado, o gohan, o banho no ofurô, que parecia nos transportar ao paraíso com sua água quentinha e revitalizadora.
A vida foi me aproximando de outros amigos de olhinhos puxados, além dos companheiros de banco escolar que convivo até hoje, amigos profissionais do Direito como eu, médicos, dentistas, veterinários, até familiares e tantos outros e só posso comemorar essas amizades com esse povo descendente de gente que veio de um país tão distante que são leais, sinceros e se permitem ser amorosos com aqueles que estimam.
É assim que tenho amizades de sessenta anos com pessoas especiais que carrego no coração como se fossemos irmãos de sangue apesar do visual diferente...
Gratidão a esse povo que chegou para o trabalho em nosso país e trouxe progresso e uma maneira positiva de encarar a vida!