Recentemente ouvi um podcast em que a psicóloga entrevistada falava sobre a dificuldade que os pacientes têm de encarar a realidade de que são eles que precisam mudar, em vez de ficar criando expectativas na mudança dos outros. Reconhecer que nós é que precisamos mudar, assumindo as responsabilidades por nossas escolhas, decisões, pela nossa própria vida, implica ações efetivas nesse sentido. E, muitas vezes, não estamos dispostos a pagar o preço. Muitos acreditam que mudanças externas podem melhorar a vida - mudar de cidade, de casa, de trabalho, mudar os móveis, mudar rotinas; enfim, mudar alguma coisa, desde que não seja necessário fazer uma mudança interna. É fato que vivemos em um mundo em constante transformação. As coisas mudam rapidamente! Mas como é difícil modificar algo em nosso comportamento! Existem mudanças que podemos planejar. Mas nem todas. Muitas vezes a nossa vida pode mudar, de uma hora para outra, trazendo dor e sofrimento ou também coisas boas, alegrias, experiências e descobertas novas.
Vamos pensar um pouco na história de Neemias, que está registrada no Velho Testamento. Neemias pertencia ao grupo de pessoas que nascera durante o exílio babilônico. Estava longe da terra de seus antepassados, a qual conhecia provavelmente por relatos, tendo que enfrentar uma nova realidade, uma nova cultura. Ele nada fizera para estar ali. Já haviam decorrido 150 anos que parte do seu povo fora levado à força para o exílio. Ele mesmo não tinha culpa de nada do que os seus antepassados fizeram. Simplesmente, estava pagando o preço do pecado coletivo de seu povo. De certa forma, Neemias estava em uma condição relativamente confortável. Agora, a Babilônia estava sob o domínio persa. Uma nova mudança! Ele era o copeiro do rei Artaxerxes, tendo a função de experimentar todas as comidas e bebidas antes do rei. Nesse cargo, ele tinha responsabilidades mas também privilégios. Um dos privilégios era estar diariamente com o rei. Mas quando soube da situação real da terra de seus avós, ele não se conformou. Provavelmente, qualquer um de nós acharia que nada tinha a ver com a situação. É interessante como Neemias não se colocou no lugar de vítima nem de justiceiro! É preciso reconhecer, sem nos fazermos de vítimas, que nessa vida passamos por acontecimentos que podem estar sob e fora de nosso controle. Nem tudo na vida segue uma lógica racional! Considerar-se uma vítima não altera em nada o nosso presente. Se desejamos que a nossa realidade mude, temos que abandonar a vitimização e colocar a mão na massa com a certeza de que não existem “viradas”, mudanças, fáceis.
Neemias chorou alguns dias ao tomar conhecimento das más notícias sobre Jerusalém e daqueles que haviam retornado do exílio; todavia, não permaneceu chorando, entrando em um estado de comiseração. Ele orou ao Senhor, exaltando-O, colocou-se como um intercessor, confessando o pecado dos seus antepassados e o seu próprio pecado, enquanto parte do povo também, buscando o favor do Senhor para a empreitada desafiadora de reconstrução dos muros de Jerusalém, que ele planejava começar. Fez um pedido específico – “Faze com que eu tenha sucesso hoje e que o rei seja bondoso comigo”. (Neemias 1:11) Além do arrependimento, a oração de Neemias mostrou um aspecto essencial - o desejo sincero de mudar. O arrependimento inclui a disposição para a mudança! A oração de Neemias foi atendida pelo Senhor! O rei persa percebeu o abatimento de Neemias e lhe perguntou sobre a razão de seu abatimento. Quando o rei lhe perguntou o que queria, ele orou a Deus, buscando direção certa. Os seus pedidos ao rei seguiram as instruções dadas pelo Senhor. O rei deu a Neemias tudo o que ele havia pedido! Aprendamos com Neemias a consultar o Senhor em busca da direção certa. O trabalho de Neemias foi uma oportunidade que Deus havia-lhe dado para um elevado propósito. Agora, Neemias estava prestes a enfrentar outras mudanças. Como aconteceu com Neemias, precisamos tomar a decisão de mudar, porque há sempre algo que precisa ser mudado!



