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Jornal Diário de Suzano - 21/05/2026
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Coluna

Empatia com os que sofrem

21 maio 2026 - 05h00

Recentemente perdemos um sobrinho muito querido, um jovem brasileiro que adotou como propósito de vida lutar pelas causas da juventude em nosso país e no mundo em nível institucional. Deixou um legado que nós da família não tínhamos ideia de sua extensão. As homenagens que recebeu e continua recebendo de instituições e lideranças ligadas aos jovens no Brasil e no mundo, mesmo após três semanas de sua passagem, mostram a magnitude do legado que Marcus Vinícius Barão deixou. Sofremos com as perdas da vida. E a dor pela perda de um ente querido é uma das maiores dores. Somos atingidos pelo sofrimento, mesmo sendo tementes a Deus e íntegros. Conhecemos a história de Jó, que era visto pelo próprio Deus como um homem justo e íntegro. Mesmo assim foi atingido por enorme sofrimento com a permissão de Deus. Sim, Deus permitiu que Jó fosse tentado e provado para que nesse processo ele O conhecesse profundamente. 
Os amigos de Jó, diante de seu quadro desolador, começaram a criar teses para justificar o sofrimento que o atingira. Melhor fariam se ficassem calados! Um dos amigos, Elifaz, usou o conhecimento que tinha para humilhar o amigo em dificuldade. A tese dele era: "Nós mesmos causamos o sofrimento". Se Jó estava naquela situação deplorável, algo ele havia feito para merecer isso. É verdade que muitas vezes somos os responsáveis por situações que causam sofrimento. A desobediência às leis do Senhor, às leis naturais ou sociais, pode trazer como consequência muito sofrimento. Outro amigo, Bildade, defendeu a tese de que "os justos vivem sempre em triunfo". Logo, se Jó estava sofrendo tanto, Deus o estava castigando por seus pecados. - "Será que Deus torceria a justiça? Será que o Todo-Poderoso faria o que não é direito? Decerto os seus filhos pecaram contra Deus, e ele os castigou como mereciam. Agora volte para Deus e ore ao Todo-Poderoso. Se você é mesmo puro e honesto, Deus virá logo ajudá-lo e lhe dará de novo o lar que você merece". (Jó 8:3-6) Bildade em sua teologia simplista e insensibilidade aumentava ainda mais o sofrimento de Jó. Não podemos afirmar que a morte dos filhos de Jó tenha sido em razão de pecados. Todavia, Bildade precisava justificar a morte deles e o sofrimento pelo qual Jó passava. Ele não conseguia aceitar que coisas ruins podem acontecer com pessoas boas. É verdadeiro que o pecado causa muitos estragos e sofrimentos em nossa vida. Contudo, é errado afirmar que todo sofrimento vem em decorrência de algum pecado. 
Talvez nos sentíssemos mais confortáveis se pudéssemos explicar o sofrimento. Mas não podemos. Sofremos por causa de doenças que nos atingem. Pode ser que algumas venham em razão da falta de cuidado com a nossa saúde, mas outras não. Uma pessoa pode-se alimentar bem, praticar exercícios, manter o peso em ordem, não fumar, não beber, não se estressar, e mesmo assim ter um problema grave de saúde. Sofremos em razão do sistema injusto e cruel desse mundo, em que os recursos naturais e financeiros não são distribuídos de forma equânime. Que não sejamos nós os agentes das injustiças que vemos nesse mundo! Sofremos em decorrência das calamidades naturais e violências que nos atingem em todos os níveis. Sofremos também por causa do pecado que nós mesmos cometemos. E, nesse sentido, as consequências vêm por nossas más escolhas. E, se for esse o caso, precisamos nos arrepender, confessar o pecado a Deus, pedir o Seu perdão e, sustentados pela graça de Jesus, seguirmos em frente limpos. 
Os "amigos de Jó" não conseguiram permanecer em silêncio por muito tempo diante do sofrimento dele. Concluíram que Jó era o verdadeiro culpado por suas desgraças. Não fazemos nós muitas vezes a mesma coisa? Precisamos ter compaixão e empatia por/com aqueles que sofrem. Em João 9:1-3, os discípulos de Jesus diante de um cego de nascença fazem uma pergunta: - "Mestre, por que este homem nasceu cego? Foi por causa dos pecados dele ou por causa dos pecados dos pais dele? Jesus respondeu: - Ele é cego, sim, mas não por causa dos pecados dele nem por causa dos pecados dos pais dele. É cego para que o poder de Deus se mostre nele!" Os discípulos de Jesus tinham uma "teologia" para explicar o sofrimento. Mas nenhuma teologia humana ameniza o sofrimento. Jesus não se ateve a palavras e explicações tolas. Jesus se importou com a condição daquele cego e o curou. Jesus se importa verdadeiramente com o nosso sofrimento!