Relacionamentos são sempre desafiadores. Seria muito bom se pudéssemos conviver em harmonia, sem conflitos que causassem feridas na alma. Mas essa não é a realidade. A queda do homem no Éden trouxe mudanças ao plano original de Deus. Após a queda houve o primeiro assassinato - Caim matou o irmão, Abel. O pecado modificou a natureza, os relacionamentos, trazendo consequências dolorosas. Atualmente, fala-se muito em relacionamentos tóxicos. Nesses relacionamentos há manipulação, controle do outro, falta de respeito e empatia, violência psicológica e/ou física. Não é incomum encontrarmos relacionamentos rompidos nas famílias. Pode ser um filho que não fala com o pai, um pai que ignora o filho, um irmão que rompeu os laços com o outro, uma esposa que não dirige mais a palavra ao marido, embora vivam na mesma casa... Se formos ouvir essas pessoas, elas terão uma lista de "motivos" para justificar o rompimento do relacionamento. Não esperamos ser magoados por aqueles a quem amamos! Então, quando isso acontece, nosso horizonte se torna nebuloso. Ficamos tristes. Lembramos da manipulação, do tratamento injusto, da traição, da rejeição, do mal deliberado, da "palavra dura". Mas pode acontecer também de sermos nós os causadores dos maus-tratos.
José do Egito é um bom exemplo de alguém que enfrentou a rejeição por parte de seus irmãos. Vendido como escravo pelos irmãos, José, muitos anos depois, encontra-se numa situação privilegiada em relação a eles. Poderia vingar-se deles, mas decide perdoar àqueles que lhe causaram tanto sofrimento: - "Vocês, na verdade, intentaram o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer aquilo que vocês estão vendo agora - conservar a vida de muita gente, inclusive a de vocês". (Gênesis 50:18-20) A motivação dos irmãos de José foi mesquinha - e ele deixou isso claro. Mas Deus fez todo aquele mal se transformar em bênção para todos eles. Quando reconhecemos a ação de Deus em todos os nossos caminhos, ofuscamos as emoções humanas e as lembranças negativas do nosso passado. Tudo quanto Deus permite em nossas vidas tem um propósito, ainda que não consigamos enxergá-lo no momento do sofrimento. Depois que José se revelou aos irmãos, colocou em dia 25 anos de conversa acumulada. Cada vez que os irmãos procuravam mencionar os erros do passado, José dizia: - "Não vamos mais falar nisso; isso pertence ao passado. Deus tinha um plano, e tudo cooperou para o nosso bem e a glória Dele. Vamos deixar as marcas do passado pra lá!"
Antes de José, o pai dele, Jacó, também teve problemas com o irmão, Esaú. Através de um plano ardiloso arquitetado por Rebeca, sua mãe, Jacó enganou o próprio pai, tirando do irmão, Esaú, a bênção da primogenitura. A Bíblia não esconde o pecado de ninguém. O pecado não fica impune. A partir daí, Jacó passou por muito sofrimento, sendo enganado, explorado, por Labão, seu tio e sogro, por vinte anos. Ele teve que aprender a ser humilde, correto, quebrantado e guiado por Deus. Assim somos nós! Depois de 20 anos, Esaú e Jacó se reencontrariam. Havia muito ódio acumulado no coração de Esaú. De volta à sua terra, com toda a sua família, seus animais, escravos, Jacó tentou usar as próprias estratégias nesse reencontro. O irmão foi ao seu encontro com quatrocentos homens. Jacó ficou com medo e muito preocupado. Ele dividiu o seu povo em dois grupos e orou, pedindo que Deus o salvasse da ira do irmão. Deus respondeu à oração de Jacó, dando-lhe estratégias para lidar com o problema. Além de enviar presentes preciosos ao irmão, ele se colocou humildemente como um servo de Esaú. A oração feita por Jacó e atendida por Deus transformou o coração dos dois irmãos. Esaú saiu correndo ao encontro de Jacó e o abraçou e beijou. E os dois choraram! (Gênesis 33:1-4) Houve a reconciliação!




