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Editorial

Um ano do 8 de janeiro

09 janeiro 2024 - 05h00 Por editoracao
Um ano do 8 de janeiro

Nesta segunda-feira completou-se um ano de um dos mais tenebrosos e aterrorizantes dias da nossa história. O momento iguala-se ao do golpe militar de 1964.
Há um ano, milhares de pessoas, entre idosos, adultos e jovens, invadiram as sedes dos três poderes nacionais: Congresso, Judiciário e Palácio da Alvorada.
Descontentes com o resultado da eleição em outubro de 2022, em que Luiz Inácio Lula da Silva retornou ao posto de chefe do Executivo federal, centenas de pessoas invadiram, depredaram, surrupiaram e denegriram os locais que abrigam os poderes da nossa federação. Artes, pinturas, presentes, tudo acabou destruído.
Inclusive, câmeras flagraram pessoas fazendo as necessidades básicas sobre a mesa do Congresso e do Judiciário.
À moda americana, como ocorreu com a invasão do Capitólio em Washington, em janeiro de 2021, o brasileiro fez questão de ter a sua data também.
O momento esquecível que passamos completou um ano, com centenas de presos, outras tantos aguardando julgamento e ainda outros que conseguiram sair impunes. 
A depredação provocada por golpistas atingiu parte do conjunto arquitetônico dos três principais palácios da República, que são tombados como patrimônio mundial, especialmente vidros, paredes e teto, mas foi especialmente severa em relação a equipamentos, mobiliário e obras de arte que faziam parte do acervo, muitos dos quais ainda passam ou passarão por delicados processos de restauração.
Mas o momento não pode ser esquecido. Ele precisa ser lembrado, afirmado e ensinado como um momento triste e que não pode se repetir. Fazer cair no esquecimento é fazer acontecer de novo em um futuro talvez distante ou não.
Por isso até que a ministra da Cultura, Margareth Menezes, quer criar um memorial sobre os atos golpistas, o qual deve tomar forma por meio da construção do Museu da Democracia. A previsão é de investimentos da ordem de R$ 40 milhões no empreendimento, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
A iniciativa foi anunciada pelo Ministério da Cultura (MinC) na última sexta-feira (5). Segundo a pasta, desde o início de 2023, após os ataques antidemocráticos de 8 de janeiro, o órgão vem trabalhando para viabilizar a construção do museu.
Seguiremos firmes, com a nossa democracia ainda mais fortalecida, mas sem esquecer um dos mais tenebrosos momentos desse País.