Chegamos a mais um mês de março. Tradicionalmente, é um período marcado por justas homenagens, entrega de flores e discursos sobre a resiliência da mulher. Tudo isso é válido e merecido. No entanto, vivenciando o dia a dia da gestão pública e a realidade das nossas comunidades, aprendi que a maior homenagem que o Estado pode prestar a uma mulher não é uma rosa, mas sim a garantia de uma porta aberta para a sua total independência financeira.
Durante muito tempo, a assistência social no Brasil foi vista apenas como um balcão de doações. Em Arujá, nós decidimos virar essa chave e transformar o acolhimento emergencial em capacitação permanente. Quando ensinamos uma mãe chefe de família a costurar, a atuar na área da beleza, ou a se qualificar através de projetos como a nossa Escola 4.0, não estamos apenas ajudando um lar a sair da linha de vulnerabilidade. Estamos injetando dinheiro real na nossa economia. O fim do assistencialismo puro dá lugar à dignidade do trabalho e à geração de renda.
Essa realidade, porém, não é exclusiva da nossa cidade. O que vemos nas ruas de Arujá se repete em Suzano, Mogi das Cruzes, Itaquaquecetuba e por todos os municípios do Alto Tietê. Temos milhares de mulheres que são a base de sustentação de seus lares e que só precisam de um empurrão técnico, de crédito acessível e de políticas públicas estaduais sólidas para se tornarem empreendedoras de sucesso. O desenvolvimento da nossa região passa, obrigatoriamente, por colocar o talento e a força de trabalho feminina no centro da pauta econômica do Estado de São Paulo.
Que neste mês da mulher, possamos elevar o nível do nosso debate. Precisamos discutir menos sobre a nossa fragilidade e muito mais sobre a nossa imensa potência como geradoras de emprego e de oportunidades. Porque uma mulher que é dona do seu próprio dinheiro, é dona do seu próprio destino – e impulsiona toda a sociedade junto com ela.


Clau Camargo é presidente do Fundo Social de Solidariedade de Arujá - (Foto: Divulgação)

