Levantamento feito pelo Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) aponta que os 98 delegados que atuam nas duas Seccionais que atendem o Alto Tietê estão entre os que recebem os piores salários do Brasil.
O delegado de polícia que inicia 2021 no estado de São Paulo vai receber, como remuneração, o valor de R$ 10.382,48, de acordo com o levantamento. Como comparação, no Mato Grosso, que paga o melhor salário do País, o valor é de R$ 24.451,11.
O resultado do levantamento, concluído no final de dezembro de 2020, aponta, na opinião do Sindicato, a desvalorização da segurança pública paulista “em um desmonte que ocorre há mais de anos por parte do Governo do Estado, mas que se acentuou de forma vertiginosa na gestão Doria”.
“No mesmo mês em que o Sindpesp chegou ao lamentável resultado que colocou os delegados paulistas na lanterna dos salários, o Governo do Estado mandou para a Assembleia Legislativa um projeto de orçamento de R$ 246,3 bilhões para 2021, que coloca São Paulo disparado como o estado mais rico do Brasil”, apontou Raquel Kobashi Gallinati, presidente do Sindpesp. O segundo estado com mais recursos, Minas Gerais, prevê gastos de R$ 121,9 bilhões, menos da metade do valor paulista.
Investigadores e escrivães
Os salários de investigadores e escrivães, levantados pelo Sindpesp, também colocam São Paulo entre os piores salários da federação. Com valor inicial de 3,931,18, estão à frente apenas de Pernambuco, Santa Catarina, Alagoas e Ceará.
São 399 investigadores e 249 escrivães na região, de acordo com o Sindpesp.
Para o Sindicato, a desvalorização salarial é um dos fatores que comprovam o sucateamento da Polícia Civil paulista, que junto com o déficit de policiais e a falta de estrutura apontam a ausência de investimento do Governo na segurança da população.
A Polícia Civil paulista tem previsão de 41.912 cargos. Atualmente, 27.464 estão ocupados, o que representa somente 65,5%. “Faltam 14.448 policiais civis em São Paulo. Ou seja, trabalhamos com recursos humanos 34,5% abaixo do número ideal, o que causa sobrecarga de trabalho, estresse e reflete diretamente na qualidade da segurança pública para o povo paulista”, explica Raquel Gallinati. Segundo o sindicato, os dados salariais foram levantados em todos os estados da federação, com informações de portais da transparência, setores de recursos humanos das secretarias de segurança e diários oficiais.