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Jornal Diário de Suzano - 19/05/2024
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Região

'Ivone & Nise, um reencontro': celebra a parceria pela saúde mental brasileira

Projeto estará aberto ao público em Mogi das Cruzes, de 13 de abril a 18 de maio de 2024

11 abril 2024 - 11h10Por De Divulgação

Projeto estará aberto ao público em Mogi das Cruzes, de 13 de abril a 18 de maio de 2024, e conta histórias de Ivone e Nise por meio de trabalhos visuais e intervenções artísticas A mostra “Ivone & Nise: um reencontro” reestreia em Mogi das Cruzes, em abril de 2024, depois de ser sucesso de público em 2023.

 

O projeto idealizado pela artista visual Mariana da Matta e a multiartista Pâmella Carmo nasceu para eternizar o legado da cantora e compositora Dona Ivone Lara e sua atuação como enfermeira, assistente social e terapeuta ocupacional, especialmente quando trabalhou na equipe da médica Nise da Silveira, no Hospital Psiquiátrico Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro, nos anos 1940.


O projeto tem duração entre duas datas fundamentais para compreender essa história: reestreia no dia em que Dona Ivone Lara completaria 102 anos, 13 de abril, e se encerra no Dia Nacional da Luta Antimanicomial, 18 de maio. 

 

A mostra volta à cidade esse ano para expandir o alcance da mensagem dessa parceria e apresentar ao público histórias de outros personagens importantes. “Seguimos ocupando outros territórios e levando o legado de Ivone & Nise através do samba, oficinas e vivências. 

 

O projeto continuará abordando a história delas, mas também de outras referências importantes para luta antimanicomial e para a arte, como Juliano Moreira, psiquiatra negro que enxergava o sofrimento psíquico de forma social e como consequência do racismo, Osório César, psiquiatra que instalou ateliês no hospital do Juquery, em Franco da Rocha-SP, além das artistas Stella do Patrocínio, Jovelina Pérola Negra, Clementina de Jesus, Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo e Arthur Bispo do Rosário”, aponta Pâmella Carmo.


Financiada pela Prefeitura de Mogi das Cruzes, a mostra faz parte do Programa de Fomento à Arte e Cultura de Mogi das Cruzes (PROFAC), e traz a atualização da exposição
principal, agora instalada na Pinacoteca. Paineis de tecelagem, colagens, sonorização,
pintura, mesa com materiais para escrita e desenho, varais com cartas e objetos cenográficos são os elementos artísticos que compõem o ambiente de “Ivone & Nise: Um
reencontro”. Além disso, o projeto circula no entorno com diversas intervenções artísticas e
atividades formativas inspiradas na história da dupla.

 

“A grande trajetória dessas duas mulheres nos estimulou a desenvolver uma ideia fisicamente ampla. Para dar forma ao projeto, na exposição e na programação cultural e formativa, nos inspiramos nesse legado. Com nossas linguagens artísticas como música, poesia, teatro e artes visuais temos a intenção de apresentar a novos públicos e locais essa história de sonho e luta, tudo sob o fio condutor da relação entre saúde mental e arte”, explica Mariana da Matta.


A abertura no dia 13 de abril, além de inaugurar a exposição, também vai trazer a cultura de Dona Ivone Lara em uma roda de samba na Pinacoteca, que se repete nas semanas  seguintes no Ateliê Sementeira, na Vila Natal, e na Congada de Santa Efigênia, no Jardim Santa Tereza. A agenda continua com momentos como uma roda de conversa e roda de samba no Cursinho Popular Maio de 68 e uma Oficina de Canto no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS II), essa última apenas para usuários do serviço.


Veja a programação completa:


Pela valorização da obra humanitária de Dona Ivone Lara Surgindo como uma proposta para a programação de celebração do centenário de Dona Ivone Lara no Sesc Mogi das Cruzes, em 2023, a ideia da mostra é dar visibilidade para outras facetas da sambista que foram fundamentais para a história do Brasil. “Nossa intenção era apresentar a atuação de Dona Ivone Lara na saúde mental e imaginar sua relação com Nise da Silveira, visando contribuir com o resgate que vem sendo feito nos últimos anos a respeito de seu trabalho para além da música. Ivone e Nise foram fundamentais para a Reforma Psiquiátrica brasileira e para importantes movimentos sociais, como a Luta Antimanicomial”, apontou Mariana da Matta.

 

O objetivo também é resgatar memórias que se perderam no tempo e que apontam
uma das faces do racismo: a invisibilidade de personagens negras em diversas áreas do
conhecimento. “Dona Ivone Lara ainda sofre com o apagamento histórico de seu trabalho
como Terapeuta Ocupacional”, aponta Pâmela Carmo. Antes de ser a primeira mulher a fazer parte de uma ala de compositores de escolas de samba e passar a dedicar-se somente à música, a sambista trabalhou por 37 anos no Hospital Engenho de Dentro. Sob a supervisão da psiquiatra Nise da Silveira, a jovem Ivone podia utilizar a música como estratégia de tratamento na seção de terapêutica ocupacional.


Além de falar sobre o seu trabalho terapêutico com música no hospital, a proposta da mostra busca contribuir com ações de reparação para reconhecer o importante papel da grande dama do samba na construção de metodologias e práticas de cuidados  humanizados pioneiros em sua época e local, como a ressocialização e desinstitucionalização de internos. “Por isso nossa proposta é falar desse trabalho na saúde mental e como a parceria de Ivone & Nise foi importante para romper barreiras machistas, racistas e sociais”, finaliza Carmo.

 

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