É por obras mal feitas e que aparentam estar abandonadas como a que ilustra essa reportagem especial no jornal Diário de Suzano que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp - agora privatizada) recebeu dias atrás, na Câmara de vereadores de Suzano, (mais) uma moção que repúdio.
A 'obra' que aparece na imagem fica na avenida Brasil, no sentido Poá, um pouco antes do Parque Max Feffer, praticamente no centro de Suzano. O 'serviço', realizado por uma empresa contratada da Sabesp privatizada, é um retrato fiel dos problemas que a empresa e suas terceirizadas tem causado em Suzano e em outras cidades do Alto Tietê e da Grande São Paulo.
A poucos metros desse local, onde a avenida Brasil está interditada por conta de um principio de afundamento do asfalto que foi aplicado para tapar o buraco aberto pela Sabesp e suas terceirizadas, um outro trecho da via (sob o viaduto Ryu Mizuno - onde passa a ciclofaixa) também espera pela recuperação do asfalto; também neste ponto a impressão que fica aos motoristas, ciclistas e pedestres é que o serviço foi iniciado e abandonado sem que a avenida fosse devolvida à cidade e aos suas usuários em perfeitas condições de tráfego e de segurança, como estava antes das intervenções da Sabesp.
Em razão dessa evidente falta de compromisso em recuperar, com rapidez e qualidade, o asfalto nos locais onde está mexendo para implantar novas redes de tratamento de água e coleta de esgoto, é que a Sabesp privatizada tem despertado cada vez mais a revolta e a indignação da população e dos representantes do povo, no caso os vereadores, que em Suzano e em outros municípios estão questionando e denunciando os abusos em série praticados pela Sabesp.
No Legislativo de Suzano, no início deste mês, a moção de repúdio do vereador Pacola (aprovada por unanimidade) foi acompanhada de manifestações indignadas de outros parlamentares que tem sido cada vez mais procurados pelos suzanenses com pedidos de ajuda para que a Sabesp privatizada, em vez de criar problemas (seja com os buracos abertos nas vias, com a burocracia no atendimento, na cobrança abusiva de tarifas e com o desrespeito às autoridades políticas), apresente com mais transparência as soluções ambientais prometidas pelo governo do Estado de SP, que vendeu à sociedade a privatização da Sabesp 'como uma solução divina' à universalização da distribuição de água e coleta e tratamento de esgoto (tudo isso, até o ano de 2029). A situação é tão grave que a Câmara de Suzano chegou a aprovar um projeto de lei que permite ao Poder Executivo fiscalizar de forma mais efetiva os serviços da Sabesp privatizada no município.
Reclamações contra a Sabesp aumentam mais de 100% entre 2025 e 2026
Muita gente pode considerar que os problemas seriam pontuais (em Suzano e na região) e que as reclamações são exageradas, mas levantamento feito pela reportagem mostra que as queixas subiram de forma exponencial na comparação entre os anos de 2025 (antes da privatização) e em 2026 (depois da privatização). De acordo com o Procon-SP, "no primeiro trimestre de 2026, o Procon registrou cerca de 8,8 mil reclamações contra a Sabesp. No mesmo período de 2025, eram 4,3 mil, o que representa uma alta de 102,5%". O Procon de Suzano foi questionado sobre os números das reclamações sem Suzano e deverá se manifestar após o feriado de Aparecida.
A reportagem também questionou o governo de Suzano sobre eventuais notificações à empresa Sabesp pelos problemas causados nas vias e outros. Por meio da Secretaria de Comunicação Pública, o governo afirmou que "A Secretaria Municipal de Manutenção e Serviços Urbanos e a Agência Reguladora de Serviços Públicos informam que promovem a fiscalização às obras da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) por meio da Lei Municipal 5779 de 30 de junho de 2026. Nos últimos 45 dias foram enviadas à Sabesp 68 notificações à empresa solicitando providências de reparação de vias, manutenção de serviços, entre outros." A Agência, entretanto, não informou como (e em quanto tempo) os problemas alvos das notificações foram resolvidos pela Sabesp e suas terceirizadas.
SABESP Deixa obras inacabadas e buracos espalhados pela cidade. População reclama da situação - (Foto: Isabela Oliveira/DS)