Nesta segunda reportagem especial sobre os transtornos e indefinições em obras que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp - agora privatizada) está realizando em Suzano e cidades da região do Alto Tietê, o Diário de Suzano, denuncia uma situação que pode simbolizar a distância oceânica entre os discursos sobre investimentos bilionários à universalização dos serviços de distribuição de água e coleta e tratamento de esgoto até 2029 e a realidade onde tem prevalecido a falta de transparência no que se refere ao andamento das obras e o descaso em relação aos serviços executados de forma precária (ou não executados) pelas empresas terceirizadas pela Sabesp.
Conforme o jornal destacou na primeira reportagem especial sobre o investimentos da Sabesp (publicada na edição impressa do último dia 13) são dois os problemas que irritam a maioria das autoridades políticas e a população e que a empresa precisa trabalhar para resolver: o primeiro é dar total transparência ao cronograma das obras e nessa matéria o Diário de Suzano escancara essa falta de transparência; o segundo problema é a falta de respeito das terceirizadas que ao deveriam informar os prazos para a recuperação, ao menos parcial, do asfalto nas vias onde os buracos foram abertos para a implantação das novas redes para fornecimento de água e coleta de esgotos.
Vala de esgoto X obra de Estação Elevatória parada
Na edição do dia 13, o jornal denunciou a existência de uma vala/córrego que despeja, desde sempre, esgoto sem tratamento no rio Tietê. Essa vala de esgoto fica no início da avenida Francisco Marengo, no Jardim Revista, bairro da região Norte, na periferia de Suzano; por conta desse crime ambiental a reportagem questionou a Sabesp sobre quais córregos e cursos de água estão sendo despoluídos em Suzano e na região: isso porque a Sabesp tem feito publicidade em portais da Capital, destacando que 'os córregos estão voltando a ter vida'. Esse questionamento ainda não foi respondido, mas o fato é que esse córrego/vala segue despejando esgoto no Tietê.
Mas essa situação na região Norte de Suzano ganha contornos absurdos diante de uma outra descoberta feita pela reportagem: a menos de 300 metros dessa vala de esgoto (e bem na margem do rio Tietê - na avenida vereador João Batista Fitipaldi) a Sabesp cercou um terreno para construção de uma Estação
Elevatória de Esgoto
O problema é que a obra está parada desde o começo do ano.
No local o Diário verificou que uma empresa terceirizada chegou a movimentar o solo, no que seria o início da fundação dessa Estação Elevatória e depois dessa escavação mais nada foi feito. Temos, então, convivendo lado a lado, um despejo de esgoto no rio Tietê e a obra de uma Estação Elevatória, parada, na margem do rio e ao lado da vala de dejetos e lixo. É dessa forma que a Sabesp privatizada está devolvendo a vida aos córregos e prometendo universalizar a coleta e o tratamento de esgoto no Alto Tietê até 2029?
Sabesp admite ter mais obras paradas que em andamento
Apesar de a reportagem solicitar à Sabesp, um balanço sobre todas as obras em andamento na cidade, incluindo os endereços (e o estágio de execução de cada uma delas), a Sabesp não detalhou porque a obra dessa Estação Elevatória na margem do Tietê, na parte Norte de Suzano praticamente nem começou, destacou apenas que a maior parte das obras em Suzano passam por adequações técnicas: "A Sabesp informa que realiza em Suzano diversas obras para ampliar os sistemas de água e esgotamento sanitário.
No setor de esgoto, o ciclo de investimentos, de cerca de R$ 281 milhões, beneficiará aproximadamente 116 mil pessoas com a instalação de 90 quilômetros de tubulações e 38 Estações Elevatórias de Esgoto (EEE). Entre as estruturas em destaque estão a EEE ITI-16 (na ETE Suzano) e a EEE Amparo (para a região do Miguel Badra). Seguem em andamento também o Coletor-Tronco na Estrada do Viaduto e as obras no Jardim Revista.
Atualmente, o município conta com 14 frentes de serviço em andamento e outras 20 frentes que passam por adequações técnicas e de segurança e seguem devidamente sinalizadas e isoladas", informa a Sabesp por meio da assessoria de imprensa. A empresa, agora privatizada, voltará a ser procurada pela reportagem para revelar quais outras frentes de obras estão paradas da mesma forma que essa Estação Elevatória de Esgoto na margem do rio Tietê.
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Obra de Estação Elevatória Ao lado de vala que 'joga' esgoto está parada. Empresa não toma providências - (Foto: Divulgação/Especial DS)