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Ensino

Educadores defendem participação de pais nas reuniões, mas sem lei obrigatória

Professores destacam a importância da participação da família na vida escolar dos alunos

20 abril 2019 - 19h00Por Aline Moreira - de Suzano
Suzano voltou atrás na decisão de de multar, obrigar pais e responsáveis de alunos do Ensino Infantil, Fundamental e Médio a comparecerem nas reuniões escolares. 
 
Após conversa com o Ministério Público (MP), a municipalidade decidiu que a melhor maneira de discutir esse assunto seria com uma audiência pública na Câmara Municipal. Mesmo com a retirada do projeto, professores e especialistas em educação não concordam com a ideia de impor aos pais a presença nas reuniões escolares. 
 
A maioria aprova a aproximação dos responsáveis com a vida escolar dos filhos, mas rejeita a exigência do poder público, argumentando que a imposição não garante a conscientização dos responsáveis. "A escola tem que trazer os pais para perto e não afastá-los. Isso não significa obrigação, mas sim um chamamento informando a importância da presença dos responsáveis no âmbito escolar", conta o historiador, professor e escritor, Suami Paula de Azevedo. "Somente assim iremos achar soluções em conjunto que beneficiem tanto as demandas da escola, quantos dos alunos", acrescenta. 
 
A professora de Língua Portuguesa e Inglês e psicopedagoga, Neli Maria Bertelli, explica que a relação entre pais e filhos é saudável e deve ser estimulada, pois a participação dos responsáveis pode incitar a auto-estima e autoconfiança dos alunos. "Essa aproximação contribui para o processo de aprendizado do aluno. É dever dos pais demonstrar preocupação e interesse pela vida escolar dos filhos", diz. 
 
Sobre a obrigatoriedade do projeto, Neli considera a ideia forçada e autoritária, sendo que o foco deveria estar voltado para a conscientização dos pais. "Eu mudaria esse termo obrigar pelo termo dever, pois os pais têm sim o dever, a responsabilidade e o compromisso de acompanhar a vida dos filhos dentro e fora da sala de aula. O convite para os pais participarem das reuniões deve ser consolidado numa política de consciência e não de imposição", explica. 
 
Já o professor de políticas públicas da Universidade de São Paulo (USP) e ex-secretário de Educação de Suzano, Eduardo de Lima Caldas, explica que antes de haver interesse dos pais e responsáveis na vida dos filhos, é preciso que haja interessa da escola com os alunos, pois, segundo ele, a escola é um complemento na educação moral dos estudantes. 
 
"Além da escola, acho fundamental a participação dos pais na vida escolar. Quando fui secretario, tivemos um envolvimento enorme dos pais com a escola. Só conseguimos fazer isso, porque nos importávamos com os alunos e queríamos o melhor para eles. Tínhamos uma fundamentação pedagógica que sustentava essa lógica", conta. 
 
Sobre a obrigatoriedade nas reuniões, Caldas se coloca contra essa medida e a favor da audiência pública. "A audiência pública é uma ferramenta importante para a democracia, mas tem que haver o compromisso do poder público em participar ativamente e não somente midiaticamente", explica. 

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