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Jornal Diário de Suzano - 14/04/2024
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Cidades

Homenagem aos 75 anos de Suzano nos textos dos colunistas do DS

Para falar sobre a cidade, o DS convidou seus articulas para escrever crônicas nesta data especial de aniversário

03 abril 2024 - 20h54Por de Suzano

Suzano em nossa vida 
 
Chegamos em Suzano no final dos anos 60, vindos da Zona Leste da Capital. O meu pai havia conseguido uma vaga de emprego na FONGRA, uma indústria química, que depois foi incorporada à HOECHST do Brasil. Ele foi trabalhar na seção do DDT.
 
Naquela fábrica trabalhavam muitos chefes de família, desdobrando-se em três horários para poderem sustentar as suas famílias. A TSUZUKI, a HOECHST e a "PAPELÃO", como era conhecida a Companhia Suzano, SUZANO PAPEL E CELULOSE, eram as empresas mais famosas da época. E o sonho de muita gente era trabalhar em uma delas.
 
Ao chegarmos aqui fomos morar em uma casa simples no Jardim Imperador, e eu me lembro que só poucas ruas eram pavimentadas com paralelepípedos. Fomos logo matriculados no RAUL BRASIL, a escola mais antiga de Suzano, que oferecia do 1º ao 4º ano do Curso Primário. As lojas eram poucas e ficavam no Centro da Cidade; na Glicério, a maioria delas. E como não falar do jornal da cidade - A COMARCA DE SUZANO; hoje, O DIÁRIO DE SUZANO?! Fiquei tão emocionada, quando ganhei um concurso sobre a história da cidade e apareci no jornal! 
 
Aqui trabalhei como professora, aqui nasceram dois de nossos filhos, aqui fizemos a nossa casa, aqui nos envolvemos na vida da cidade, vimos o seu crescimento, as mudanças e as transformações ao longo dos anos. Quantas memórias afetivas! O meu desejo e a minha oração nessa celebração de 75 anos da cidade é que Suzano seja uma cidade cada vez melhor para os seus cidadãos, proporcionando a eles qualidade de vida, segurança, saúde e educação de excelência, cultura, lazer. 
 
 
 
Suzano e o progresso
 
Sou como muitos do meu tempo uma saudosista incurável, afinal vivemos os últimos tempos em que a comunicação era feita presencialmente, telefone era para poucos. Nos idos dos anos 60 passei a frequentar Suzano por conta do trabalho de minha mãe num pequeno jornal de Mogi das Cruzes cuja impressão era feita pela gráfica da Comarca de Suzano, situada ainda na travessa Mirambava onde hoje se encontra o Banco Itaú. As ruas de paralelepípedo eram tranquilas com poucos carros circulando, as calçadas viravam às vezes ponto de encontro para os passantes que eram quase todos conhecidos ou familiares.
 
Os comércios eram tocados por famílias cujos nomes eram parte fundamental da cidade, seus membros haviam colaborado na emancipação do município e muitos ali se reuniam para conversar e planejar melhorias para a cidade.
 
A estação simples era um meio de se chegar à capital de maneira mais rápida, os ônibus faziam um percurso mais longo (como o fazem ainda hoje) atravessando bairros da zona Leste até chegarem aos seus destinos. Quase todos se conheciam, vinham de famílias tradicionais moradoras da área urbana ou rural, havia uma tranquilidade típica de pequenas cidades do interior.
 
A igreja ainda em construção reunia os fiéis para as missas de domingo, todos com trajes sociais.
 
Suzano sempre nos traz boas recordações de um tempo diferente e calmo, mas a agitação atual mostra que crescemos que a cidade vive intensamente o progresso e a ele nos adaptamos com facilidade, assim vamos comemorar mais um aniversário, cheios de alegria e amor por este solo acolhedor que transforma vidas.
 
 
 
Meu profundo agradecimento a Suzano
 
Cheguei em Suzano em nov/89, após passar no concurso para delegado de polícia e ser designado para trabalhar na delegacia central. O plantão policial naquela época era na Rua Gal. Francisco Glicério, 1762. Eu morava em São Paulo e tinha que viajar por mais de 50 quilômetros todos os dias para chegar em Suzano; não era nada fácil.
 
No primeiro dia de serviço conversei com o então delegado titular, Dr Carlos José Ramos da Silva, no sentido de informá-lo que eu gostaria de ser transferido para São Paulo e ele comentou que somente seria possível após 6 meses.
 
Isso me tranquilizou, pois significava que eu ficaria por pouco tempo no Alto Tietê. Mas ao sair da sala, meu chefe disse uma frase instigante: “Lordello, você vai gostar de Suzano e pedir para permanecer na cidade”. E o Dr Carlos José acertou na mosca. Com o passar das semanas fui conhecendo Suzano e me sentindo acolhido por todos, tanto é verdade, que permaneço enraizado por aqui até hoje. 
 
Aqui recebi o título de cidadão Susanense, fui diretor da casa do Menor com o intuito de conseguir patrocínio visando melhorar as condições de internação das crianças e adolescentes abandonados pelos pais, ministrei centenas de palestras para alunos de escolas públicas e privadas, fui vereador por dois mandatos, sou articulista no Diário de Suzano com duas colunas semanais por mais de 30 anos consecutivos e não poderia deixar de falar dos inúmeros amigos de coração que conquistei nesse período em Suzano. Obrigado Suzano, por tudo.
 
 
 
Comemorar o aniversário de Suzano e construir uma memória: parabéns Suzano
 
Comemorar quer dizer intensificar a memória, mas também celebrar ou relembrar em coletividade. Os dois sentidos se complementam. Comemorar o aniversário de Suzano, portanto, é intensificar a memória e lembrar conjuntamente da cidade em suas muitas facetas. Certamente, pode-se lembrar do epíteto "cidade do morango"; ou mais próximo dos anos 80, "cidade das flores".
 
Hoje, morangos e flores ficam tão-somente na memória e muito pouco na vida cotidiana. A perda da sua relação com a vida comunitária e cotidiana exige-nos lembrar, de maneira crítica, o processo de urbanização de Suzano.
 
Alguns lembrarão da emancipação. Outros, da galeria de Prefeitos. Outros, ainda, de como a cidade se industrializou. E todos misturamos nossas memórias com as de outrem, compartilhadas ao longo da vida. Na verdade, a memória não é de cada um, é de Suzano.
 
Eu tenho um conjunto de memórias: do meu avô, pai, mãe, irmão, amigos e amigas de balcão, escola, esportes e militância. Memória dos bairros, algumas construções e eventos. Também tenho memória vivida com o meu pai.
 
Tenho memória de minhas atividades políticas, das andanças pelos bairros, das ações comunitárias, das lideranças locais. Comemorar o aniversário de Suzano é, portanto, construir uma memória e reviver uma história a partir da fábrica de vinho, da Livraria, das escolas; do pedreiro, do livreiro, do professor e da professora como pontos nodais de uma rede de gente, de atividades, de uma memória coletiva. Parabéns, Suzano!
 
 
 
Homens e Mulheres que construíram o futuro da Cidade de Suzano
 
Os agradecimentos são para todos os homens e mulheres, que com seu trabalho tornaram-se sinais do Reino bendito, ao semear no solo suzanense, do antigo povoado do Baruel ao novo povoado de Vila da Concórdia, as primeiras sementes de fé e esperança no futuro de Suzano. Sem fé é impossível preparar o futuro. O futuro de Suzano estruturou-se em torno do Deus da vida, entorno da Igrejinha de São Sebastião.
 
No louvor do povo unido, na alegria do povo em festa, homenageando a cada ano o seu padroeiro e na força e solidez do trabalho, Suzano foi crescendo. A Capela foi construída, ruas e estradas foram mapeadas, foi construída a Igreja nova, formou-se um novo povoado.
 
Homens e mulheres, pioneiros e imigrantes não deixaram de dar a própria contribuição e o apoio à construção de novos prédios de utilidade pública: Santa Casa da Misericórdia, Auditório Armando de Ré, novas fábricas, novos empreendimentos industriais, antigo hospital São Sebastião, que passou a ser chamado Hospital Santa Maria, antigo hospital Campos Salles, hoje denominado São Nícolas.
 
Os suzanenses nunca se esquecerão dos pioneiros, daqueles que souberam apontar novos caminhos para as gerações futuras, daqueles que lutaram para conseguir a emancipação político administrativa da cidade e a instalação dos três poderes. Sabendo que o presente já se torna passado e o futuro passa veloz, que linda seria essa cidade se todos soubessem fazer do presente, história viva e imemorável de Suzano.
 
 
 
Suzano, Minha Cidade
 
Pude morar em muitas cidades até me estabelecer na querida Suzano. Filho de um Oficial do Exército Brasileiro, desde a infância fui morando de Sul a Norte do Brasil. Conheci Suzano em fins de 1957. Cursei Direito na PUC e dirigia o Centro Acadêmico 22 de Agosto. Mas, em outubro de 1969, quando conheci a Cristiane, cuja família era de Suzano, sofri um grave acidente, com dias em coma e EQM. E minha família foi de volta ao Rio de Janeiro.
 
Mas, mesmo estudando e trabalhando no Rio, vinha sempre que podia a São Paulo, onde reencontrei a Cris e, em 1971 nos casamos e saímos do País. A partir dos vinte e cinco anos vivi por meia década fora, na França, estudando e trabalhando.
 
De volta ao Brasil, em 1977, fui convidado a trabalhar na Cidade, onde o Prefeito Estevam Galvão havia assumido. Acabei me integrando e não saí mais. Na Prefeitura atuei na Assessoria de Educação, dirigida pela Dra. Dulce Lima, que me apoiava bem (não havia Secretaria ainda), onde montei a Biblioteca Municipal, que não havia, no prédio ao lado do antigo Paço Municipal (hoje INSS),. Fizemos muitas gincanas e conseguimos a doação de milhares de livros.
 
Estabelecemos o acervo também em Libras, a segunda da região metropolitana, e a biblioteca infantil com sessões de leitura e contação de histórias. Fizemos exposições de Artes Plásticas, no Salão Paroquial, com milhares de visitas, e o apoio da rede de ônibus local, pegando alunos nas escolas. A segunda biblioteca local foi montada no Boa Vista.
 
Consegui escrever o livro “Suzano Estrada Real”, que este ano comemora seus trinta anos. Tenho continuado a fazer a minha parte. Todos devemos contribuir. Estamos ainda no início, há mais a frente pela nossa Cidade de Suzano.