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Cidades

Mesmo após operações, prostituição na Vila Amorim persiste e preocupa moradores

Problemas contrastam com o dia-a-dia de moradores da Rua Euclides Damiani

06 agosto 2017 - 15h11Por Marcus Pontes - De Suzano

Sexo, drogas e ruas com sujeira originária de  ponto de prostituição. Os problemas contrastam com o dia-a-dia de moradores da Rua Euclides Damiani, na Vila Amorim, em Suzano. Mesmo diante de duas grandes operações feitas, o local continua sendo frequentado por aqueles que usam a via para realizar programas em frente às residências, ou nas esquinas adjacentes da via. 


O cenário desta região muda do dia para noite. Das 7 horas às 17 horas, a rua é apenas mais uma entre as vias utilizadas pelos suzanenses que saem para ir ao trabalho ou visitam algum conhecido. Mas, quando passa das 18h30, um público diferente surge. O lugar passa a ser tomado pela prostituição, principalmente em alguns pontos mais escuros. Ao menos, oito pessoas se prostituem e ficam espalhadas pelas esquinas e lugares mais escuros da Rua Euclides Damiani.


Segundo moradores, a situação piora ainda mais quando  amanhece. O motivo é a sujeira deixada no local. O DS esteve na via e encontrou uma quantidade expressiva de preservativos usados, embalagens de preservativos, eppendorfs de cocaína, latas de bebidas alcoólicas, entre outros. 


Para uma moradora, que pediu para não se identificar por medo de represálias, as pessoas que moram nesta região têm noites mal dormidas por causa das brigas, gritos e conversas obscenas que são ouvidas em toda a extensão da rua, além das vias paralelas. "Quando a madrugada começa, o barulho de carros tende a diminuir. Então, a gente acaba ouvindo as conversas com cunho sexual. Geralmente, as pessoas que se prostituem falam de forma escrachada".


Já segundo José Maussa, a situação vivenciada prejudica não somente os moradores, mas as crianças que presenciam quase diariamente pessoas seminuas em frente às residências. 


Ele também contou sobre um episódio que a família viu uma pessoa se trocando em meio à via. "Teve uma vez que um deles estava se trocando na esquina. Vimos e ficamos chocados, pois temos filhos". 
Neste caso em específico, o morador frisou que solicitou a presença da Guarda Civil Municipal (GCM). Apesar do acionamento, segundo ele, a corporação informou que não poderia resolver o problema. "Uma vez liguei e eles disseram que não tem obrigação", contou.

Agressão

Cansado de ver pessoas seminuas e o movimento intenso de carros na calçada, o morador Aristides Moraes tentou dialogar com uma pessoa que estava se prostituindo na Vila Amorim. A conversa não surtiu efeito, assim, a esposa acabou sendo agredida. "Pedi para sair do meu portão, e entrei. A minha esposa foi reiterar o pedido, mas acabou discutindo com a pessoa. Logo depois, ela foi agredida com um soco através da grade do portão. E, em seguida, o agressor usou uma bolsa para atacá-la. Somente parou quando vizinhos viram e saíram", contou.


Moraes também disse que a Polícia Militar (PM) foi acionada, e encaminhou os envolvidos à Delegacia Central. Contudo, o agressor foi liberado. Ele destaca que a pessoa ironizou a situação, inclusive debochando da Polícia Civil. "Fomos à Delegacia. Quando fomos liberados, a pessoa debochou falando que depois voltaria para trazer uma nova ocorrência à polícia".


O DS enviou questionamento à Prefeitura sobre os problemas apresentados. Em nota, a pasta de Segurança Cidadã reiterou que "realizou neste ano duas grandes operações no local, diminuindo sensivelmente os problemas relacionados à prostituição e ao tráfico de drogas na área”. Informou ainda que depois destas operações, a pasta permanece com o monitoramento na área, assim como o patrulhamento constante na quantidade de viaturas da GCM disponíveis, conforme a demanda que existe em todo o município.
De acordo com o secretário da pasta, Fátimo Rodrigues, a ação é um trabalho de persistência. Ele reiterou que a pasta está planejando estratégias mais efetivas no local. "Detalhes e as datas não podem ser divulgados por questões de segurança", disse. 


Ainda segundo a Prefeitura, a Segurança Pública é uma prerrogativa de outras instituições, ligadas ao Estado, como as Polícias Militar e Civil, e a municipalidade colabora preenchendo as lacunas criadas por conta de omissões ao longo dos anos.


Neste ano, uma blitz foi realizada no bairro e contou com o apoio da Polícia Civil. O principal foco da operação foi a Rua Euclides Damiani. No total, foram mobilizados mais de 35 agentes, distribuídos em 12 viaturas, sendo 11 equipes da Guarda Civil Municipal (GCM) e uma da Polícia. Durante os trabalhos, foram feitas abordagens e compartilhadas orientações àqueles que estavam parados em esquinas do bairro. Os GCMs e os policiais também vasculharam pontos onde, segundo denúncias, há tráfico de entorpecentes, porém nada foi encontrado.

Polícia

O 32º Batalhão de Polícia Militar (BPM) esclarece que em relação à reclamação dos moradores da Vila Amorim, a Polícia Militar, nos aspectos da ordem pública, pode e atua em caso de prática de ato obsceno, na conformidade do artigo 233 do Código Penal Brasileiro. Desenvolve operações específicas em locais tidos como recorrentes dessa prática, visando coibir as ações ilegais. Para que se torne uma providência efetiva, lembrando que a simples prostituição, não é crime, passa a ser necessária, portanto, a participação de testemunhas, que acompanhem o registro de termo circunstanciado e possam depor em juízo. Em relação ao uso de drogas no local, o procedimento operacional em relação a este tipo de ocorrência é a condução do usuário de droga e do entorpecente utilizado até o Distrito Policial onde será registrada a ocorrência e apreendida a droga. Após todas as medidas cartorárias de registro e identificação, o usuário é liberado para aguardar sua apresentação em juízo para sua apresentação perante a Justiça.


A PM destacou ainda que segue sempre o que está na lei e não atua sem o amparo dela. Daí a necessidade de a comunidade, ao presenciar tais atos, acionar a polícia e se predispor a testemunhar contra o infrator de ordem pública, caso contrário à lei não permitirá outra providência, ressaltando que, caso o policial o retire, de maneira arbitrária do local onde se encontra, sem que esteja praticando ato obsceno ou atentado ao pudor, estará cometendo abuso de autoridade.

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