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Jornal Diário de Suzano - 17/07/2024
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Cidades

Números da mortalidade infantil abrem discussão sobre novas ações

Entre as ações, estão investimentos em programas e na rede assistencial de saúde

14 janeiro 2023 - 09h00Por Ingrid Leone - de Suzano
Cidades com aumento na taxa de mortalidade infantil estão desenvolvendo programas, investimento no pré-natal de qualidade na rede assistencial de saúde, discussão de caso a caso do óbito infantil e redes de saúde com foco no desenvolvimento dos recém-nascidos, para diminuir o número de óbitos.
 
O DS verificou com as Prefeituras quais iniciativas estavam sendo feitas depois dos dados divulgados pela Fundação Seade e analisados pelo DS na última quarta-feira (4), apontarem quatro municípios com aumento nos casos. 
 
Os locais com crescimento no número de óbitos são Poá, Guararema, Ferraz de Vasconcelos, Santa Isabel, Mogi das Cruzes e Itaquaquecetuba, em ordem de crescimento da taxa. 
 
A Fundação Seade calcula a mortalidade a partir do número de bebês que morrem a cada mil nascimentos. No Alto Tietê, também houve queda em Suzano, Biritiba Mirim, Arujá e Salesópolis.
 
Suzano foi a única entre as cinco principais da região (Mogi, Itaquá, Ferraz e Poá) que teve redução na taxa de mortalidade. O percentual de queda foi de 14,68%, segundo a Fundação Seade. A taxa em 2020 foi de 9,94 e passou para 8,48 no ano seguinte.
 
Segundo a Prefeitura de Suzano, entre as ações que contribuem para a queda deste índice, está o fortalecimento da Rede de Atenção Materno Infantil (RAMI) que, em 2022, realizou 2.323 atendimentos em pré-natal. A promoção do Ambulatório de Alto Risco Infantil também está entre as iniciativas, com foco no acompanhamento de recém-nascidos após alta da UTI neonatal da Santa Casa de Suzano, sobretudo de bebês com patologias ou prematuridade.
 
Poá, por exemplo, teve o maior aumento. A taxa cresceu em 53,03%, passando de 10,2 para 15,61 em 2021. A Guararema registrou o maior aumento na taxa de mortalidade, passando de 4,54 para 9,88 em 2021, um aumento de 117%.
 
A Secretaria Municipal de Saúde informa que no ano de 2021, o município apresentou 4 casos de mortalidade infantil, sendo 3 neonatal precoce, que ocorrem entre o nascimento e os seis dias de vida, em casos de gestantes que estavam em assistência no pré-natal de Alto Risco, com partos que ocorreram em maternidades de referência para assistência de maior complexidade.
 
Segundo a secretária, Adriana Martins, a avaliação desses índices deveria ser feita de maneira individualizada, com atenção à “evitabilidade” do caso. No entanto, o indicador de mortalidade infantil não leva em consideração esse importante fator.
 
“É de extrema importância que a gestão tenha essa avaliação, se o caso era evitável ou não. Em Guararema existe um Comitê Municipal que realiza essa análise, inclusive com o papel de aportar recomendações, quando necessário. 
 
Em seguida aparece Santa Isabel com aumento de 73%. Na cidade a taxa passou de 6,13 para 10,61.
 
Segundo a Secretaria de Saúde, “nós analisamos este dado observando diversos fatores, entre eles, os dados dos anos anteriores. Embora houve esse aumento de 2020 para 2021, se compararmos com demais anos, podemos notar que estamos dentro da média, o que reflete a manutenção dos serviços de saúde, especialmente os que interferem diretamente no indicador de mortalidade infantil”.
 
Ainda explicou que “embora não conseguimos manter a taxa abaixo de 10, que era o foco, mesmo assim, ainda conseguimos analisar que estamos no caminho certo quando investimos em pré-natal, no parto e na puericultura e nossa meta é mantermos este indicador abaixo de 10”.
 
Entre as ações realizadas, estão discussão de caso a caso do óbito infantil no Comitê de Mortalidade materno-infantil, investimento de pré-natal de qualidade na rede assistencial do município, fortalecimento do contrato com a maternidade da Santa Casa de Santa Isabel, fortalecimento no atendimento de puericultura das crianças pela rede de Atenção Básica do Município.
 
Cidades se dizem cientes da importância de reduzir, cada vez mais, taxa de mortes de bebês na região
 
Outras cidades da região buscam ações contra a mortalidade infantil. Ferraz aparece no fim, com aumento de 46,7%, passando de 8,53 para 12,52 na taxa de mortalidade infantil.

“A taxa de mortalidade infantil expressa a necessidade de conscientização da adesão ao pré-natal, principalmente para identificação de alto risco, em especial, nas gestantes com idade inferior a 19 anos e superior a 40 anos” explicou a administração.

Para melhorar os índices, o município de Ferraz está fortalecendo a oferta na assistência pré-natal buscando ofertar consultas e exames adequados. Na atual gestão procuram garantir atendimento pré-natal a todas gestantes e fazendo busca ativa por meio dos agentes comunitários de saúde naquelas que, por alguma razão, abandonam o seguimento.

Para a Secretaria de Saúde, estão cientes da importância em reduzir a mortalidade infantil. 
“Para isso, vem implementando uma série de ações coordenadas com as UBS e com o serviço de referência da região (Hospital Regional de Ferraz) onde busca-se diagnosticar precocemente as infecções originadas ainda no período perinatal como, por exemplo, malformações congênitas além de doenças infecciosas e parasitárias e também doenças do trato respiratório, pois essas são as maiores causas de morte no primeiro ano de vida” destacou.

Mogi e Itaquá registraram o menor crescimento. Em Mogi foi de 2,63%, passando de 9,87 para 10,13.

A Prefeitura explicou que o município trabalha com os sistemas federais de nascidos vivos e de mortalidade que sofrem atualização de maneira mais rápida, e não com os dados do Seade.
“Os dados apresentados na reportagem foram retirados do sistema Seade. A prefeitura de Mogi das Cruzes trabalha com os sistemas federais de nascidos vivos e de mortalidade que sofrem atualização de maneira mais rápida, portanto pode-se notar que há diferença maior no número de nascidos e de óbitos”, explicou a Prefeitura.

De acordo com os dados federais, os coeficientes de mortalidade em Mogi das Cruzes são de 10,19% (2020) e de 10,07% (2021).

“O município conta com o Comitê Municipal de Mortalidade Infantil, que avalia todos os óbitos infantis e os classifica em inevitáveis, inconclusivos ou evitáveis - dentro dos evitáveis, o Comitê faz recomendações específicas à gestão de Saúde”, comunicou.
 
Além disso, a Prefeitura desenvolve políticas públicas como o programa 'Mogi, Cidade da Criança – Primeira Infância', que foi lançado em novembro. É uma política pública intersetorial com foco no desenvolvimento de uma cidade amigável à infância e à Primeira Infância, prioridade da gestão.
 
Mogi é parceria da Fundação Bernard Van Leer, instituição holandesa, responsável pela Urban95, iniciativa internacional que no Brasil reúne 23 cidades brasileiras com foco na Primeira Infância.

E em Itaquá, 1,1%, crescendo de 12,57 para 12,71. A administração não retornou o contato.