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Suami Paula de Azevedo

Nossa Semana de Arte Moderna

19 fevereiro 2022 - 08h00 Por Gabriely Machado
Nossa Semana de Arte Moderna

Temos de comemorar mesmo o centenário da nossa Semana de Arte Moderna de 1922. Ela chocou muitos no seu tempo, mas mostrou como modernizar nossa Arte, Cultura, visão de mundo. E mostrou um olhar mais avançado de São Paulo, ampliando a disputa com a Capital do País, Rio de Janeiro.
As atividades foram por três dias, iniciadas na segunda-feira 13 de fevereiro de 1922, prosseguindo nos dias 15 e 17, com apresentações de dança, música, recital de poesias, exposições e palestras, realizadas no saguão e palco do Theatro Municipal de São Paulo. A imprensa da época chamava de “festival” as atividades de cada dia.
Eram poucos os envolvidos diretamente, uns quinze ou vinte artistas. Mas alguns brilham até hoje na História da Arte brasileira. É o caso de Mario de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti del Pichia, Graça Aranha, Heitor Villa-Lobos, Anita Malfatti e Di Cavalcanti, que é o autor da capa do catálogo e do cartaz do evento.
O Brasil comemorando um século de sua Independência, era governado pelo conservador Presidente Epitácio Pessoa, com apoio dos produtores e exportadores chamados de “Café com Leite” (Minas Gerais e S. Paulo). Pouco após o fim da 1ª Guerra (1914/1918) avançava a industrialização, a imigração europeia e novas visões políticas, especialmente no estado de S. Paulo, governado por Washington Luís. Na Europa todos queriam mudar o mundo, aqui queriam que continuasse, sem alteração. Cubismo e expressionismo nem tinham chegado ao Brasil.
Muitos dos artistas que promoveram a “Semana” eram da nossa elite bem formada e informada, alguns já tendo vivido fora do País. A maioria era jovem, alguns com menos de trinta anos. Graça Aranha, com cinquenta e poucos anos, diplomata, experiente, se diferenciava. Mas vários já haviam publicado livros, feito exposições, se apresentado publicamente. Caso da Anita Malfatti, que já havia se destacado em exposição em 1917, com repercussão, tendo recebido mesmo crítica contrária do conservador Monteiro Lobato.
A “Semana” foi aberta por Graça Aranha, intelectual respeitado, com a conferência “A emoção estética da arte moderna” e recitou poemas de Guilherme de Almeida e Ronald de Carvalho. O público ouviu. Logo após vieram músicas pelo Maestro Ernani Braga e três danças africanas de Villa-Lobos, todas rejeitadas pelo público. Nos dias seguintes, praticamente todas as apresentações receberam vaias e gritos. Era efetivamente uma rejeição geral. Uma ou outra apresentação teve alguma a tenção, em especial as musicais. Os tempos, os costumes, não eram favoráveis.
E a Semana de Arte Moderna se encerrou.
Foram anos, só depois da II Guerra, que as ideias oferecidas na década de 1920 (“Geração de 45”) começam a ser ouvidas, entendidas, mas ainda não plenamente. Tenho visto muitas comparações um tanto equivocadas com “modernistas contemporâneos” de agora. Cuidado! 
Tenho uma coleção das revistas que deram sequência a essas ideias de Modernismo, a “Klaxon”, a “Verde”, a “de Antropofagia” e outras tantas. Nunca expus esse material. Talvez num futuro deva fazer.