Muitos de nós ainda comemoramos o Dia das Mães mesmo distante delas. Mesmo que não estejam materialmente junto a nós. Lembranças boas nos são suficientes.
Como não homenagear as mulheres, em geral. Sempre tive a mulher em posição de respeito. As mulheres contribuem muito mais firmemente para o equilíbrio de uma sociedade. São elas que dão a base para a estrutura da constituição familiar. São as mulheres que estabelecem o modelo de uma sociedade.
Tenho doces lembranças de minha mãe. Sei, sinto que ela me acompanha no meu percurso. No caminho tive dos meus pais a base ética na formação de minha conduta. E da minha mãe, fortemente, recebi a sensibilização e a postura de esperança na luta por meus sonhos.
Admiro muito as mulheres sensíveis. Não as considero frágeis. Elas conseguem se destacar com reconhecido brilho, até mesmo sem que o homem se dê conta desse fato. Numa relação matrimonial não há, não deve haver, superioridade. As funções, as atribuições podem ser diversas, mas não submissas e dominantes.
Também tive a felicidade ao receber a meu lado um modelo de mãe, que desde muito cedo, já dava exemplos superiores de indicações do bom caminho escolhido. Minha parceira, sempre soube muito bem escolher seus percursos e encantar-me ante as minhas próprias opções e escolhas que fui fazendo pelos tempos percorridos, nas condições mais diversas, até mais adversas.
Ela acatou minhas posições, tendo as suas próprias. Como não respeitar sua dignidade? Mais do que isso, além do amor a ela que me encantava, tinha uma enorme admiração por aquela menina com suas firmes posições, lá nos tempos de nossa juventude. Já fez meio século.
Mesmo desenvolvendo seu Mestrado na Sorbonne, ela me ofereceu a possibilidade de ter um filho. Ter filhos no Exterior não é coisa tão simples. Sem a presença física dos nossos próprios pais. Minha parceira tudo enfrentou com muita vontade e destemor. O menino chegou. Um percurso feliz.
Ao voltarmos, mais um filho se ofereceu, uma menina. Novo encantamento. Hora do almoço, meu aniversário. E chegou o lindo presente a me brindar.
As crianças cresceram, tornaram-se adultos, pessoas dignas, profissionais de destaque em suas áreas. Sempre acompanhados pelo carinhoso e atento olhar materno. Meus filhos são uma expressão de amor, que minha parceira sempre garantiu.
Uma homenagem em versos, a minha mãe e todas as mães, “Os Olhos”:
“os olhos de minha mãe sempre/ indicavam caminhos/ nas noites dos seus olhos/ brilhavam luas incandescentes/ de prata ficavam os mares/ nas rotas que me escolhi/ sei como sabia que não ia me perder/ nas coisas que não sabia/ teria o colo e suas mãos/ afagos e balanços/ segurança e perdão”//
“os olhos de minha mãe brilhavam/ o dia que um dia vai chegar/ fundos como
cavernas protetoras do frio/ do vento ou do espinho/ chegavam lindos de cores/
como as flores da alegria/ domavam o triste/ afastavam a solidão/ rendavam de luzes ternas as ruas/ da infância eterna que me guia”
Mãe é assim, fica ali, do lado da gente, quietinha, quentinha. Doce.