Foi inevitável, lembrei das comemorações da Data Magna do Rio Grande do Sul. Lá a população de cada, de todas as cidades, comemora na praça central, acampam por uma semana ali, montam guarda, cantam, desfilam. O orgulho gaúcho se alarga com o apoio de todos. É generalizado. Lá no Sul todas as suas cidades tem os CTGs, os Centros de Tradição Gaúcha, onde revigoram os seus costumes. Seja qual for a sua origem, alemã, indígena, italiana, negra, nordestina, por lá gaúcho é quem vive lá, ou assume ou é ser estranho. Com o correr dos tempos, os gaúchos se espalharam pelo País e levaram seus CTGs. E repassam aos demais, não apenas o hábito de tomar mate, o seu chi marrão, mas viver seus costumes, sua cultura.
Como não me referir a isso ante o nosso “9 de Julho”? Você sabe o que é isso? Desculpe perguntar. Mas pude perguntar a um menino o que lhe representava essa data. Ele não soube me responder. Depois me disse: “Ah, é feriado”! Perguntei-lhe do quê. Não sabia. A mãe dele, ao lado, me disse: “Nós não somos daqui da cidade, viemos do Interior”. Pois é, havia muito mais o que saber.
Como Educador, sempre comemorei a nossa “Data Magna”, o nosso “Dia Maior”, o nosso dia mais importante, quando lutamos pela Liberdade Democrática, mesmo a custo de vidas nossas em 1932. As lutas não foram apenas na Capital. Formamos tropas e batalhamos no Sul, no limite com o Paraná, como nos limites com o estado do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. Tropas passaram por aqui, nos trens que seguiam para o Vale do Paraíba.
A Revolução de 1930, que colocou Getúlio Vargas no Poder, acabou com a República Velha. Acabou com o voto a descoberto, onde os antigos “coronéis”, definiam em quem os subordinados deviam votar, era o “voto de cabresto”. Isso não podia ser chamado de Liberdade, de Democracia. São Paulo apoiou esse Movimento. E o paulista contava com fatos novos. Mas, depois de dois anos, Getúlio não permitiu eleições livres, nomeou interventores nos estados. Não aconteceu a nova Constituição que estabelecesse a Democracia, e o desenvolvimento econômico e social. Os paulistas nunca pensaram em separar-se do resto do País, isso era contra-propaganda getulista.
Os símbolos paulistas bem o demonstram. De fato, a “Bandeira Paulista” foi oferecida para receber a República, como disse na Introdução de um poema em sua homenagem: “Se em 1888 não representastes a republica nacional/ envolveste em 32 o sonho de liberdade dos nossos heróis/ como ilustras agora as certezas de fruto/ neste terceiro século a que chegas.”
“Pavilhão desta terra/ Que flameja alto neste mastro/ A união das origens da nossa gente/ Em negro e amarelo e branco e vermelho/ No amado espaço azul sobranceiro/ Receba o nosso juramento de fiel respeito/ Nas treze listas em que retomas/ Os ideais maçons da América vista/ Seja dia ou seja noite oferecemos agora/ O sangue do nosso peito/ Para nos quatro cantos da rosa dos ventos/ Garantir a paz do Brasil/ Orgulhosos do solo paulista”.
Celebremos.