Estava lembrando do comentário de uma amigo Advogado. É verdade, tem vezes que a palavra nos chega leve e solta. Tem vezes que ela nem nos chega. Aí você solta aqueles chavões do tipo: “faltam-me palavras para expressar...” e por aí vai. Um estudioso deu o nome dessa expressão de “topoi”. Mais uma figura de linguagem que só os especialistas sabem.
Enfim, vim desta vez para conversar com vocês, meus caros leitores, como dizia o mui amado Machado de Assis, sobre essa necessidade que adquirimos, como seres humanos, de nos comunicarmos.
Na realidade, vamos pensar juntos, nos tempos de “facebook” e assemelhados, o que queremos, lá no fundo, é dizermos algo. E esse algo pode ser só a necessidade de falar ou escrever para alguém. Sentir que somos ouvidos, que existe alguém do outro lado da linha. Não vou dizer que estamos cheios de “fakes”, mas como negar que nos falta relação com troca, que junta as pessoas.
Caramba, gente, o que queremos mesmo é acabar com a solidão. E a solidão é a síndrome mais marcante da nossa era, com metrópoles de milhões e milhões de pessoas que passam, com pressa, sem se verem, nervosas, irritadas, ansiosas por algo que tem de fazer, que nem sempre lembram, mas que incomoda ter de fazer e, tantas vezes, não fazemos, não conseguimos fazer.
Mas vamos lá, faltam-nos mesmo palavras? Não, na realidade as palavras estão dentro de nós. Temos o nosso vocabulário, e, quase sempre ele é suficiente para o nosso gasto. E só aumenta o vocabulário quem lê mais e mais, que se pergunta sobre o significado de certas palavras, quem vai aos dicionários, quem as reaplica em suas próprias falas. E essas coisas, falar mais e melhor, se aprende pela prática, exercitando cada vez mais.
Não temos de usar um vocabulário rebuscado entre pessoas simples, a maioria da nossa gente. Mas podemos sempre sermos criativos. Talvez seja essa a maior lição a aprender na nossa fala (que pode ser escrita).
Entramos na Primavera, será que não vale a pena, dar uma respirada e pensar sobre os nossos sentimentos do mundo? Como olhamos o mundo? Temos tanto a aprender...
Como perder a esperança de dias melhores? Não, não entremos por este pantanal. A gente pode mesmo afundar. Olhe melhor, tem luzes que brilham a frente. É indicativo de caminho. E somos nós que escolhemos. Sou dos mais antigos, vejo que as escolhas sempre se oferecem. E não vou desistir. Você também não pode deixar a coisa só passar.
Claro que sei que já ouvimos muito nessa campanha eleitoral. Mas, calma, ainda vem mais e mais forte. Então, sorria. As palavras estão por aí. Escolha! Elas podem dizer tanto.
Abri aleatoriamente o livro do Mestre Manuel de Barros, um desses poetas, ou filósofo, de palavras singelas. Nele encontrei uns versos que diziam assim: “O que não sei fazer desmancho em frases./ Eu fiz o nada aparecer./ .../ Perder o nada é um empobrecimento.” Pois é, gente, vale a pena lê-lo, pensar sobre e aprender, né não?
Temos tempo. O mundo tá aí. Avante, gente!