quarta-feira 30 de setembro de 2026 Logo Rede DS Comunicação

Assine o Jornal impresso + Digital por menos de R$ 34,90 por mês, no plano anual.

Ler Jornal Assine
Jornal Diário de Suzano
Envie seu vídeo (11) 4745-6900
Suami Paula de Azevedo

Billie Holiday continua entre nós

22 julho 2023 - 08h00 Por Gabriely Machado
Billie Holiday continua entre nós

Esses últimos dias nos impactaram com perdas fortes de artistas que encantaram gerações como a minha. Agora há pouco João Donato de foi. Um dos grandes nomes que juntaram o Samba, a MPB, a Bossa Nova com o Jazz e mais. São todos parentes? Com certeza, mas o envolvimento e a expressão deles nos chagam com jeitos pessoais além dos culturais. Não é exatamente os que temos visto com as nossas novas gerações musicais. Enfim...
Esta semana fui pegar uns daqueles CDs antigos que tenho. Fui chamado a atenção por uma data, 17 de Julho, quando, em 1959, perdemos a Lady Day.
Para mim, sem dúvida, como para muitos, Billie Holiday, a Lady Day, foi a maior cantora de Jazz. Tenho um certo carinho por outras divas, particularmente Sarah Vaughan, como também Ella Fitzgerald, mas Billie me toca profundamente. Ela chega a qualquer que se abra em sensibilidade, adulto ou criança. Minha filha, desde pequena, ouvia-a, e, mesmo sem entender inglês, sentia o algo um tanto dramático, um tanto trágico, de sua maneira, totalmente pessoal, de emitir a voz. Aliás, sua capacidade vocal não era enorme, mas o modo de alongar as sílabas, um jeito de se colocar em paralelo com os instrumentos, em andamento diverso, tornava-a tão especial.
Billie Holiday morreu aos quarenta e quatro anos de idade. Ela dizia chamar-se Eleonora Harris (ou Eleonora Fagan Gough, depois de 1929), nascida em Filadelfia, em 7 de abril de 1915. Mas não se sabe de quem tenha visto a sua certidão de nascimento.
Nas lojas de disco sempre há coletâneas suas. Não são difíceis de achar nem são caras. Quem não a conhece não sabe o que perdeu até aqui. Ela gravou de 1933 até 1959. Quem quer mais pode procurar as coleções, por gravadoras, todas em CDs. Indico “Lady Day: The Complete Billie Holiday on Columbia” (1933-1944); “The Commodore Master Takes” (1939-1944); “The Complete Original American Decca” (1944-1950) e a “The Complete Billie Holiday on Verve” (até 1959). Não é difícil encontrar também exibições em vídeo. Sobre sua vida sugiro a sua autobiografia, escrita em parceria com William Dufty “Lady Sings the Blues”. 
Billie indica que suas preferências quanto a instrumentistas eram muito próprias: os saxofonistas Lester Young, com quem partilhava forte amizade, que ela chamava de “Prez” (Presidente), sendo ela chamada por ele de “Lady Day”, Coleman Hawkins e Bem Webster; em especial o trompetista Louis Armstrong; os bandleaders Duke Ellington (piano), Benny Goodman (clarineta), com quem gravou pela primeira vez, e Count Basie (piano). 
Há de se reconhecer que o Blues está na base de toda a música afro-americana, mas o jazz vai além. Certa vez li uma frase de Count Basie: “Billie cantava o blues – algumas vezes do jeito dela – mas ela não era uma cantora de blues. Ela era uma estilista. Foi a primeira cantora que nós tivemos. Tocar com ela era demais. Eu ficava tão emocionado ao ouvi-la quanto a plateia”.
Imagens que me ficam de Billie Holiday é a de uma orquídea, ou de plumas, em seu cabelo, no vestido ou no casaco. Uma delicadeza.