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Vamos Conversar!

19 agosto 2023 - 08h00 Por Gabriely Machado
Vamos Conversar!

Nesses quarenta e tal anos que escrevo cônicas fui aprendendo muito sobre o diálogo que vivemos com os leitores. Antigamente, as pessoas liam e me mandavam mensagens pelo telefone do Jornal. Com as redes sociais as comunicações foram se fazendo bem mais rápidas e densas. Dependendo do tema por mim tratado as mensagens se multiplicam ou se reduzem bastante. Ainda assim, sei que o diálogo permanece, com alguns retornos ou não. Nem todos expressam publicamente suas compreensões, há os que preferem conversar inbox.
Todo aquele que escreve dirige-se ao leitor, sabemos todos muito bem. Ainda que uns certos pretendam só se soltar ao escrever. Mas sabemos também que a recepção do leitor pode ter inúmeras direções de interpretação. E são essas tendencias que nos exibem o que tocamos com as nossas palavras. Uma vez em uma palestra em congresso de Literatura falei que é o leitor que define o que disse o escritor a partir de sua interpretação. Essa fala não foi muito bem recebida. Autores presentes contestaram a minha visão: “Eu sei o que quis dizer, e isso ninguém muda”, comentaram alguns. E se ninguém entender o que você quis dizer? E por a&ia cute; se iniciou uma discussão, sempre quente em um congresso. Isso não impede que autores escrevam livros explicando o que um escritor buscou dizer, mesmo sem o conseguir.
Claro, não estou me referindo a erros de Português, falhas em concordâncias, ortografias como ocorrem, mesmo em Jornal impresso, como também em legendas de televisão. O que deve sempre ser evitado, mas que não podemos negar que ocorrem. Antigamente havia corretores nos jornais, coisa bem cara e difícil, mas acabou. O jornalista que trate de atentar para o que faz e se corrigir. Os autores de artigos e crônicas, em jornais e revistas, se responsabilizam pelo que fazem, assim, costumam não serem corrigidos. Se houver falhas são deles mesmos, propositais ou não. Os editores das publicações indicam apenas o tamanho do espaço que o autor dispõe. Podem mesmo expressa r que “não se responsabilizam pelas manifestações do texto publicado”, claro.
E sabemos bem, em especial nos tempos que vivenciamos que as ideologias separam as pessoas pelo mundo, e com grande evidência, em nosso amado País. Sabemos que o meio ambiente está fortemente afetado por atos humanos, estamos vivendo uma alteração climática muito forte. Ainda assim, muitos seres humanos agem de modo desumano, desatentos ou mesmo escolhendo o mal. Portanto, - como negar? – interpretações também podem ser distorcidas. Enfim, quem nunca teve manifestação sua desviada de sentido?
Então, mesmo uma crônica também pode servir de provocação para uma reflexão. Será que tudo o que você fez, tudo o que você disse, sempre foi entendido tal qual você pretendia? Será que sua manifestação não abria possíveis outras alternativas de entendimento? Será que você não tinha um adversário, mesmo que se passasse por amigo, que exibiu visões negativas do que você disse?
É bom refletir...