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Jornal Diário de Suzano - 23/01/2022
COLUNA

Eduardo Caldas

Foi candidato a prefeito em Suzano em 2004. É professor de Gestão Políticas Públicas na USP

De Araraquara à Maricá: coragem, criatividade e ousadia

25 MAR 2021 - 05h00
Diante da crise sanitária que assola o planeta há líderes locais que se calam e outros que se desesperam. Há os que fazem cálculos políticos e agem, de forma populista, contra a vida a partir de um falso dilema em que vida e economia são colocadas no mesmo nível hierárquico e em oposição uma à outra.
Há no entanto líderes locais que mobilizam seus recursos para atuar em favor da vida e da economia. Neste sentido há dois casos emblemáticos: um mais convencional e outro mais criativo, inovador, ousado, arrojado.
O caso mais convencional é Araraquara (SP). O município paulista chamou a atenção pelo aumento rápido no número de infecções e óbitos associados ao Covid-19 no mês de fevereiro. Como reação, a prefeitura decretou lockdown, ou seja, fechamento do comércio e dos órgãos públicos entre 21 de fevereiro e 2 de março. O efeito foi a diminuição no número de novos casos. A taxa de mortalidade em 13 de março foi de 105 por 100 mil habitantes, menor que a taxa paulista de 139 por 100 mil (em 14 de março de 2021). A queda no número de novos casos em Araraquara indica o sucesso dos dez dias de lockdown. Em 27 de fevereiro, a média móvel de novos casos diários atingiu o máximo de 138, a partir de então essa média cai e chegou a 68 em 13 de março. O prefeito teve coragem de lutar pela vida. Então, até a vacinação em massa, boas práticas como uso de máscaras e álcool em gel, lavagem das mãos frequentemente e isolamento social são nossas tábuas de salvação. A lockdown também mostra-se eficaz apesar dos discursos populistas contrários à sua adoção.
O caso mais inovador, entretanto, ocorre em Maricá (RJ) onde o prefeito desde o início da pandemia tem atuado de forma anticíclica, injetando dinheiro na economia para garantir renda para as pessoas permitindo-lhes consumir (realizar compras) e, portanto, possibilitando que os comerciantes façam suas vendas. Desde meados de 2020, enquanto parte dos governos locais se debatiam se fecha comércio, se abre comércio, se fecha escola, se abre escola, o governo de Maricá (RJ) desenvolveu um conjunto de ações despejando R$ 80 milhões na economia local, por meio da expansão de recursos financeiros que circulam via cartão e moeda comunitárias; antecipou o Abono Natalino para os beneficiários de políticas públicas de assistência e promoção sociais; distribuiu 24,4 mil cestas básicas; pagou um salário mínimo, por três meses, a autônomos e informais, com recursos públicos municipais; abriu uma linha de crédito de R$20 milhões para os empresários locais; e suspendeu a cobrança do ISS fixo e do IPTU para idosos acima de 60 anos.
Além de medidas fitossanitárias, o governo local tem atuado no social e na economia. Além de manter essa política, desde o final de 2020 o governo local tem usado da "paradiplomacia", ou seja, dos talentos e recursos locais para fazer relações internacionais e assim iniciou uma negociação direta com a Rússia para aquisição imediata da vacina Sputnik V. É verdade que além da ação "paradiplomática" era preciso autorização de Lei Federal. Com a aprovação, sanção (10/03) e publicação da lei 14.125/2021 fica permitida a compra por estados, municípios e pelo setor privado de vacinas contra a Covid-19 com registro ou autorização temporária no Brasil. Maricá então fechou acordo com a Rússia para a compra de 400 mil doses da vacina Sputnik V. Agora o desafio é logístico.
Enquanto isso, apesar das boas práticas, muitos prefeitos ficam dançando ao som da gritaria populista que opõe a vida à economia. Que parem a dança irresponsável e que se inspirem pelo menos na coragem de Araraquara e quiçá na ousadia e criatividade de Maricá.
CENTRO MEDICO INFLUENZA
UMC

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