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Jornal Diário de Suzano - 16/01/2021
COLUNA

Eduardo Caldas

Foi candidato a prefeito em Suzano em 2004. É professor de Gestão Políticas Públicas na USP

Estratégias Comunitárias de Sobrevivência

01 JUL 2020 - 23h59
Os cientistas estão procurando soluções em tempo recorde para a superação da pandemia que assola o planeta: engenheiros fazem respiradores em maior escala e menor preço; biólogos e biomédicos procuram criar e adaptar vacinas; e cada um a seu modo, seja motivado pela salvação de vidas seja motivado pela conquista de mercados, atua condicionado pela crise sanitária em voga.
Do ponto de vista dos governantes, há países em que o presidente ou o primeiro-ministro assume a liderança e coordena as ações. Há por outro lado exemplos em que o primeiro desencontrado é o próprio presidente. Ainda assim, nesses lugares em que falta a liderança nacional, governos locais se desdobram para atenuar o problema: são governos que determinam o fechamento do comércio e das escolas por reconhecerem o distanciamento físico social como eficaz para evitar a contaminação do Covid-19; redirecionam a alimentação escolar; garantem uma "renda básica" para as famílias mais vulneráveis, dentre outras medidas.
Os "capitães do mato", por sua vez, não sendo escravos e jamais se tornando senhores da casa grande, aproveitam a situação para ganhar algum dinheiro, para se apropriar de algum ganho extra mesmo colocando em risco a vida alheia.
Se por um lado, há os "capitães do mato", por outro lado há uma ação incessante das comunidades organizadas. Nesse aspecto há ações como a do Padre Júlio Lancellotti que permanece com seu trabalho de auxílio e organização das pessoas em situação de rua; ou ainda o exemplo do Serviço Franciscano de Solidariedade (SEFRAS) que no final de março montou uma tenda no Largo São Francisco, Centro de São Paulo, para intensificar a assistências às pessoas em situação de rua. Segundo informam os franciscanos, "neste momento de pandemia, em que as desigualdades entre pobres e ricos se mostram ainda mais cruéis, temos lutado contra três grandes males nas ruas e em comunidades brasileiras: a fome; a febre, com o avanço implacável da Covid-19 nos grupos vulneráveis; e o frio". Diariamente, desde o final de março, os franciscanos distribuem 2.600 refeições (marmitas prontas) para pessoas em situação de rua ou pessoas que de alguma forma perderam seu sustento por causa da pandemia. Eles também passaram de 2 mil atendimentos diários, em março, para mais de 6 mil em abril, na linha de frente do enfrentamento à Covid-19 nas ruas, além das doações de alimentos, roupas e cobertores, mais de 7 mil cestas básicas, kits de higiene, limpeza e proteção pessoal para famílias em comunidades de alta vulnerabilidade e encaminhamento ao sistema de saúde.
Finalmente, talvez a maior demonstração de organização comunitária venha das favelas, onde moram milhões de pessoas, nem sempre em condições adequadas, e muitas vezes obrigadas a tomar conduções lotadas para chegarem a seus trabalhos.
Em Paraisópolis, zona sul de São Paulo, por exemplo, lugar com mais de 100 mil habitantes, a organização G10 Favelas Paraisópolis criou verdadeira estratégia de guerra para lidar com a pandemia e a quarentena diante da pobreza. Foram organizados comitês dos bairros, mapeamento da comunidade e identificação de líderes voluntários, responsáveis por cuidar, cada um, de 50 casas. Suas tarefas contemplam a conscientização dos moradores para que fiquem em confinamento, a entrega de doações, o recebimento de informações de qualquer caso de gravidade (doença). Além disso a comunidade conseguiu vans para distribuir o material arrecadado, ambulâncias, adaptação de espaço para acolher pessoas com sintomas do Covid-19. 
Assim, a crise sanitária apresenta a diversidade social, mostra a multiplicidade de interesses e motivações e fundamentalmente escancara as desigualdades sociais, a capacidade de organização e as estratégias de sobrevivência de populações inteiras a quem o Estado insiste em negar direitos e garantir acesso a serviços básicos.
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