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Jornal Diário de Suzano - 02/06/2026
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Coluna

Agradáveis lembranças

02 junho 2026 - 05h00

A palavra saudade tem o dom de trazer consigo um entendimento de dor, de perda, de ausência permanente ou não...
Entretanto, conseguimos também ter saudade de coisas boas, de lembranças agradáveis...
Tomava meu café da manhã tranquilamente quando lembrei de uma passagem com meu pai, que já partiu para o outro plano há bastante tempo, e sem querer me vi sorrindo e viajando nas memórias que de repente me pareceram muito próximas.
Meu pai, assim como as pessoas mais antigas e do seu tempo, era extremamente severo na criação dos filhos, tudo era concedido, sempre com limites bem delineados. Sabíamos até onde podíamos ir sem ter problemas, era só respeitar o que havia sido determinado e tudo ficava bem. Eu gostava de dançar e de início ia na casa de amigos, nos bailinhos de garagem, como eram conhecidos, depois, nos salões dos clubes da cidade, onde as famílias se reuniam e acompanhavam as filhas e os filhos que podiam dançar, sempre sob os olhares atentos deles.
O certo é que apesar dessa vigilância intensa os namoros iam se iniciando e muitos casamentos aconteceram.
O tempo era de música boa, baladas românticas para se dançar juntinho, cochichando ao pé do ouvido, ouvindo e fazendo declarações de amor ou ao som do rock and roll, na sua essência que nos permitia criar passos e coreografias jamais esquecidas...
Meu pai e outros que conheci, liberavam nossas idas aos bailes de final de semana, mas sabíamos que algumas pessoas conhecidas, a seu pedido cuidavam do que fazíamos e, certamente ele saberia de tudo que acontecera sem ouvir uma palavra de nossas bocas. Então o importante era saber se comportar e evitar discussões e possíveis castigos, que poderiam nos fazer ficar em casa por mais de um final de semana, sem participar desses encontros alegres com amizades, onde o papo rolava cheio de planos para o futuro, sobre os sonhos que cada um acalentava, sobre as paqueras e os amores platônicos que podíamos viver intensamente sem que a pessoa amada soubesse de nada. Coisas de outros tempos que nos faziam felizes e cheios de segredos entre amizades sinceras...
Em casa meu pai era um homem que gostava de conversar, contar histórias da sua infância no interior com irmãos e a mãe que ficara viúva muito cedo e, apesar disso conseguira criar os filhos com severidade amorosa, tal qual ele fazia conosco.
Ele e os irmãos, após as aulas e terminar as tarefas na casa onde moravam, podiam ir para a beira do rio, não sem antes ouvir todas as recomendações de cuidados que se repetiam sempre, tomar banho ou jogar bola, ali as travessuras e brincadeiras entre os irmãos era livre e tranquila, o horário da volta era sempre determinado pelo Sol, que nunca deveria se por antes de retornarem, não causando assim preocupação para a mãe zelosa. Fazia para nós balanços e conosco brincava quando tinha tempo livre, debaixo de uma árvore baixa, limpou e construiu uma casinha para podermos brincar com segurança e, de longe nos observava com seu olhar atento e carinhoso.
Assim nos criou, exigindo respeito, educação, obrigação de estudar e sermos melhores para nós e para a sociedade, dizendo que o amor fraterno era imprescindível para que fossemos felizes na vida.
Revendo na memória sua figura austera e bem cuidada, sorri, porque apesar da saudade sempre presente ele deixou um legado de amor e de boas lembranças que fazem parte de mim hoje...