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COLUNA

José Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo

Profissões em alta

09 NOV 2017 - 05h00
Não é mais novidade afirmar que profissões morreram, outras estão em extinção e aquelas que serão necessárias daqui a algumas décadas ainda não têm nome. O que ainda não aconteceu foi uma reação consistente e focada rumo ao preparo das crianças e jovens para um futuro cada vez mais imprevisível.
Os empregos desaparecem. Todavia, as pessoas precisarão trabalhar. Nos próximos dez anos, a máquina vai ocupar o lugar de quase 50% dos trabalhadores norte-americanos, 35% na Alemanha, 21% no Japão. E no Brasil?
Engatinha-se na oferta de cardápios factíveis e atraentes para uma juventude totalmente antenada nas redes, que já nasce com "chip", eis que sua circuitaria neuronal é digital, enquanto que a circuitaria das gerações presentes é analógica. Ou jurássica, se houver interesse em se aproximar da realidade.
O que ensinar? Como ensinar? Como implementar na consciência do educando que educação é processo permanente, que não pode ter fim e deverá perdurar durante toda a existência terrena?
As atividades do futuro estão nas áreas emergentes: biotecnologia, nanotecnologia, mapeamento de dados, tutela do ambiente, cuidado com os idosos, marketing de negócios, mobilidade urbana. 
O mais difícil é convencer o educador a se preocupar mais com as competências socioemocionais do que com a capacidade de memorização. O trabalhador do amanhã precisa saber trabalhar em rede, formar nexos e conexões, saber alterar o rumo, ter curiosidade para aprender novas tecnologias, saber conviver. Aprender a dialogar com respeito ao outro, ter presente que pensar diversamente não significa ser inimigo. Aprende-se com a posição contrária. 
Fala-se em "nexialista", que é o profissional apto a estabelecer conexões. Para isso, a comunicação é instrumento imprescindível. Por isso é importante aprender a aprender. Saber exprimir-se. Dominar a linguagem. Conhecer o idioma. Ter condições de ofertar clareza ao expor suas ideias. Sem necessidade de recorrer à onomatopeia ou a muletas como "tipo isso, tipo aquilo", ou a repetir, de forma inadequada e pueril, o "com certeza". Expressão comum a vários jovens, que, na verdade, ainda tateiam no terreno da mais absoluta incerteza. 
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