A Pipoka é uma rainhazinha que nos acompanha há seus seis anos, logo após seu nascimento. E domina a nossa casa. Não morde ninguém, mas late bastante ao perceber que alguém se aproxima da sua família ou da nossa casa. Ela é totalmente branca e peluda. Um doce.
Sempre estivemos acompanhados por animais, a vida toda, desde muito pequenos, a Cris, minha mulher e eu em nossa vida familiar. O que nos estimulou sempre a precisarmos dessa companhia. Especialmente cães. Nunca gostei de passarinhos em gaiolas, ainda que os amasse e adorasse seus cantos. Normalmente tínhamos vários cães em nossas casas. Depois que nos casamos e nossos filhos foram crescendo e vários animaizinhos nos acompanhavam normalmente.
As coisas nem sempre são perfeitamente entendidas por todos, especialmente crianças pequenas, com menos experiências. Certa vez morando numa fazenda em Minas Gerais, perto de Juiz de Fora, saindo da escola, com meus sete anos, vi um cão na rua e fui acarinhá-lo, ele me mordeu, talvez temesse que eu fosse atacá-lo. Depois o cão foi pego e descobriu-se que ele tinha raiva e tive de tomar dezenas de vacinas na barriga. As crianças tem de ser orientadas a não agir de qualquer modo, sempre com muito cuidado, mesmo para expressar seu carinho pelos animais.
Carinho aos animais é imprescindível. Temos de repassar essa ideia a todos os demais. Campanhas populares devem persistir. Temos de protege-los permanentemente. Eles são fundamentais para a vida dos seres humanos em especial. Combater as agressões, abusos, violências não são apenas para proteger os humanos, temos de garantir a integridade tanto dos animais como das plantas.
Quando nos mudamos para apartamento, há quase trinta anos, tivemos de reduzir nossas adoções. Passamos a ficar apenas com um. Primeiro vivíamos com a querida Jolie, um encanto. Ela tinha origem de raça pequena. Mas sempre foi frágil. E uns poucos anos depois se foi. Sentimos muito. E um dia fomos expostos a um bebê, a Mel, que nos escolheu de imediato. Ela nos acompanhou por seus quatorze anos. Pela equivalência de raça pequena, de dachshund, como a Jolie, isso equivale aos nossos oitenta anos. Permaneceu conosco até precisar ir-se embora.
Foi quando uma amiga que sabia da nossa perda nos ligou, dizendo ter um bebê para nós. Fomos correndo ver. A pequerrucha se ofereceu para nós com muito amor. Fizemos todos os exames para saber mais dela. Perfeita. O veterinário disse que aquela figurinha criaria muitos pelos e aumentaria bem de tamanho. Ele não errou. Sua origem, chic como se exibia, identificamos com uma nova expressão: “tombe-late”.
Ela logo se integrou no novo espaço da sua família. Adotou minha filha Juliana como sua mãe natural e minha mulher e eu como seus avôs. Muito ligada a mim, fica o quanto possível a meu lado. Bastante comportada, respeitosa só busca saber quem são os novatos que se apresentam a nós. Sempre que pode viaja conosco, sabe seu lugar no carro e nos cantos onde vamos. Se saímos e não vai, aceita, mas sente a nossa falta e festeja quando chegamos.


