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Jornal Diário de Suzano - 30/05/2026
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Coluna

Queridos Leitores

30 maio 2026 - 05h00

Meus queridos leitores, mais uma vez nos encontramos por aqui para o meu prazer dessa nossa conversa semanal. Permita-me que a veja regularmente como um instante de satisfação em completarmos esses encontros. Como escritor tenho de me lançar ao espaço em busca de expressão e entendimento do que faço, ou entendo fazer. Claro que sabemos todos que a comunicação se faz pelas duas partes, mas mesmo assim podemos ter nossas interpretações, independentemente, claro.
Eu mesmo já disse em estudos meus, bem antiguinhos, que o escritor se lança com a expressão do que pretende dizer. Mas nada garante que consegue a cada vez em que se lança. Quem define se o autor alcançou algo de suas pretensões é o leitor. Esse é o meu entendimento. Contudo, sei bem, sei também, que nem todos aceitam essa tal interpretação que aqui expressei. Em todo caso, o escritor tem de tentar chegar ao leitor, sempre. Mas a sua comunicação plena é uma proposta, nunca definida antes do texto chegar ao seu fim, junto ao leitor.
Alguns que me contestaram diziam que o leitor tem piorado em suas condições de entendimento da leitura. Mas sei também que nem todos os escritores são mestres na expressão do que pretendem. Alguns gostam de criar complicômetros para o leitor, mesmo sabendo para quem se dirigem. Por exemplo, numa expressão popular como a de jornal, uma linguagem cheia de altos e baixos, com metáforas nem sempre acessíveis, a coisa pode se tornar bem complicada a muitas pessoas. E esse não é o melhor o caminho a escolher. Se a sua finalidade é trazer temas complexos, mesmo numa expressão popular, certamente, deverá usar linguagens sempre mais acessíveis. Se a escolha do espa& ccedil;o e da expressão não se identificam a falha não foi do leitor. Então, cada um deve saber do que pretende e como fazê-lo.
Se queremos conversar, queremos nos comunicarmos plenamente, como disse. Senão for assim será outra coisa.
Claro que sei também que se o leitor conhece o seu escritor ele já prevê o que vem, já se prepara para os próximos momentos. Mas, persisto, o leitor é que define se o escritor se expressou bem. O comando é do leitor. Por isso já sei se vou, ou não, levar paulada.
Quando escrevo um estudo acadêmico, como de Linguística ou Semiótica, ou mesmo de Gestão Pública ou Educacional, sei que o público é diverso, em grande parte, do que escrevo em minhas crônicas. O problema da escolha do que faço é meu, não do leitor.
Quero sim chegar ao meu leitor. Quero ampliar esse contato, sendo possível. E tenho de ir tentando o tempo todo. Mesmo sabendo que isso não é tão simples e nem fácil.
Fui me apaixonando pela escrita ainda bem garoto. Adorava decorar poemas. Processo que iniciei antes mesmo de aprender a ler, por isso tive de acelerar meu aprendizado. E memorizar era ótimo. As rimas eram encantamento para aquele menino de então. Depois, quando fui escrevendo, fui bucando ampliar o que pretendia expressar e o modo como podia chegar ao meu leitor.
Como você se coloca para entender o que se mostra a sua frente numa leitura?