Morei no Rio Grande do Sul por alguns anos na minha adolescência. E aprendi que lá se deve comemorar a Data Maior do Estado em setembro com muita festa, com muita celebração. Em todas as cidades festejam na praça central. Acampam por uma semana ali. Montam guarda, cantam, desfilam. Percebe-se que o orgulho gaúcho se alarga com o apoio de todos. Existe uma marca regional em cada um deles, venham de onde vierem, sejam de origem europeia, alemães. Italianos, portugueses, ou nordestina, sejam de origem negra, indígena ou outra. Há um convite a todos, integrem-se.
Nunca vi nada parecido aqui em São Paulo. Mas sempre batalhei por isso, é um aprendizado, mesmo que demorado e difícil. Durante quase quarenta anos de atuação na Educação Pública pude espalhar esse empenho entre os meus pares e as comunidades onde trabalhei. Não foi simples, nem fácil, sei das dificuldades. Mas pude contar com apoios e as práticas se espalhavam. Lembro que ao menos por uns vinte anos, o Major Hiram Gouvea apoiou a ideia da Data Magna Paulista. Tivemos por muitos anos comemorações do nosso “9 de Julho” em escolas que dirigi com a presença forte e significativa da Polícia Militar. Algumas vezes era a mais importante, com a presença atuante do Comando Regional da PM do Alto Tietê. Muitos dos pais vinham participar, não apenas os alunos e professores. Transformava-se em festa efetiva de Viva São Paulo. Sei que essas coisas são complexas para alguns. Mas deveriam se estender como práticas. Fui muito combatido nas minhas tentativas de tornar obrigatório o ensino de História Local. Então sei também que alargar conhecimento pode se tornar difícil. Como não me referir a isso ante o “9 de Julho”? Você sabe o que é isso? Desculpe perguntar. Mas pude interrogar um menino o que lhe representava essa data. Ele não soube me responder. Depois me disse: “Ah, é feriadão!” Perguntei-lhe do quê. Não sabia. A mãe dele, me disse: “Nós não somos daqui da cidade, viemos do interior do estado”. Pois é, há muito mais o que se aprender em mais horizontes.
Marcamos o nosso “9 de Julho” como o dia maior da nossa luta por Liberdade Democrática” em 1932. Batalhamos no sul do estado, com o Paraná, e igualmente nos limites do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. A Revolução de 1930 que colocou Getúlio Vargas no Poder acabou com a República Velha, mas acabou também com o voto a descoberto onde os antigos coronéis definiam onde seus subordinados deviam votar, era o “voto de cabresto”. Não havia nem Liberdade nem Democracia. São Paulo apoiou esse movimento, na esperança de fatos novos. Mas depois de dois anos Getúlio não permitiu eleições livres nem nova Constituição e nomeou interventores.
Os símbolos paulistas sempre buscaram a união. A nossa bandeira pretendeu receber a República. Vejam este poema eu escrevi faz uns tantos anos. “Bandeira Paulista”:
Introdução: “Se em 1888 não representastes a república nacional/ envolvestes em 32 o sonho de liberdade dos nossos heróis/ como ilustras agora as certezas de fruto/ neste terceiro século a que chegas.”
“Pavilhão desta terra/ que flameja alto neste mastro/ A união das origens da nossa gente/ Em negro e amarelo e branco e vermelho/ No amado espaço azul sobranceiro/ Receba o nosso juramento de fiel respeito/ Nas treze listas em que retomas/ Os ideais maçons da América vista/ Seja dia ou seja noite oferecemos agora/ O sangue do nosso peito/ Para nos quatro cantos da roda dos ventos/ Garantir a paz do Brasil/ Orgulhosos do solo paulista.”
Celebremos sempre.


