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Jornal Diário de Suzano - 20/02/2024
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Cidades

Santa Maria, onde nascem a vida e seus grandes reencontros

Não se tratava de abordagem sobre saúde, mas de pedido carregado de emoção

04 março 2023 - 16h30Por Da Reportagem Local

A rotina agitada e, muitas vezes, imprevisível de uma instituição de saúde ganhou mais um ingrediente numa tarde de terça-feira, há aproximadamente dois meses, quando uma mensagem inusitada chegou ao Departamento de Comunicação e Marketing do Hospital Santa Maria de Suzano.

Não se tratava de abordagem sobre saúde, mas de pedido carregado de emoção. O autor, professor e radialista residente em Guaratinga, na Bahia, é ex-morador do município e não lograva êxito, apesar dos esforços árduos, em reencontrar a madrinha de batismo com quem mantinha sentimento filial e cujo contato havia perdido há 22 anos.

Foram inúmeras tentativas de Anderson Reis com parentes próximos na maioria das cidades do Alto Tietê. Nenhum deles, entretanto, tinha qualquer notícia sobre Maria de Fátima Lopes Silva. Só uma informação disponível os unia: ela havia trabalhado como enfermeira no prédio onde atualmente o Hospital Santa Maria de Suzano desenvolve suas atividades, iniciadas em dezembro de 2015 por uma diretoria experiente e disposta a transformá-lo rapidamente em sinônimo de qualidade (fato hoje consolidado), mas que não havia herdado quaisquer dados de colaboradores mais antigos que passaram por unidades de saúde lá existentes em décadas passadas.

Mesmo assim, os dirigentes deram todo o aval para que uma minuciosa pesquisa fosse feita, ainda que com poucas chances de sucesso, em nome da solidariedade e do acolhimento que caracterizam o Hospital Santa Maria. Foram 62 dias de trabalho intenso junto a colaboradores experientes de todas as áreas, diversas frustradas, até que um telefonema deu vida à esperança então minguante: Maria de Fátima foi localizada em Suzano, atualmente com 65 anos, aposentada, saudável e bem-humorada.

Mais do que isso: carregando a certeza crescente de que jamais reencontraria Anderson, seu "filho do coração" - ela atualmente divide o tempo entre atividades de home care e viagens turísticas pelo país. "Não tive filhos, ele era a referência".
Anderson havia se mudado para a Bahia com a família em 1990, aos 9 anos, e retornado a Suzano em 2001 para uma passagem rápida. "Não tínhamos celular, a comunicação era difícil e tudo era no papel. Uma hora, o contato se perdeu e só a saudade aumentou. Nenhum parente no Alto Tietê sabia de nada", relatou o radialista da emissora baiana Imaculada FM.

Ambos não foram avisados da surpresa, que aconteceu, nessa semana, no anfiteatro do hospital. Uma chamada de vídeo feita pelo Departamento de Comunicação e Marketing com aprovação da diretoria estreitou laços, com emoções tímidas no início e lágrimas de contentamento que logo contagiaram a quem assistiu de perto o reencontro.
"Você virou um rapaz forte, lindo, trabalhador", repetia Maria de Fátima ao afilhado, casado e pai de dois filhos, que insistia: "Vontade de ver a senhora de novo, nunca mais vou perder esse contato e quero ir à nossa casa". A casa deles também era, sentimentalmente, o prédio do Hospital Santa Maria, dada a escala de trabalho puxada da enfermeira do passado. Data especial?

A Páscoa, quando sobravam chocolates e carinho em uma Suzano muto diferente, sem as características atuais de um município pujante na Região Metropolitana de São Paulo.

Maria de Fátima visitou o Hospital Santa Maria e afirmou ter ficado "impressionada com o hospital moderno e acolhedor em que se transformou, sempre crescendo". Ela se emocionou na Maternidade, setor onde trabalhou e hoje com capacidade para 180 partos mensais. Onde nasce a vida, também são permitidos os grandes reencontros.