Mas ficaram dentro de nós.
A Poesia nos chama.
“Vida Vivida”
seres amados permanecem/ se eles forem por outros caminhos/ ainda ficam dentro de nós//
não temos de fechar os olhos/ a memória sempre os vê/ o coração não esquece
Estava pensando numa coisa que não chega a maioria das pessoas. A nossa identidade se faz progressivamente. A partir de papai e mamãe e irmãozinhos vamos aprendendo quem somos. Depois com os priminhos, os vizinhos vamos ampliando de onde somos. E ainda após vamos ampliando essa identidade com os colegas da escola, do trabalho e por aí vai. Por isso é imprescindível aprendermos a História Local, a da nossa Cidade. Deixaremos de ser vândalos, vamos proteger os sinais, os símbolos do que é nosso, do que somos, do que a vida foi nos permitindo construir.
E lá no nosso início vamos nos ligando a alguns, a papai e mamãe, maninhos, priminhos, vizinhos e seguimos. Um dia, bem mais adiante, vamos nos apercebendo que eles fazem parte de nós mesmos. Com o tempo vamos nos ligando a mais gente, que também vai fazendo parte de nós. E nos apegamos a muitos desses tantos. Se eles se forem, viajarem, se mudarem, sumirem, vamos sentir muita falta, como tirar um tanto de nós. Claro que não temos como impedir uma perda assim, esse tipo de fim. Tanto que eles persistirão dentro de nós com a força do carinho com que nos conquistaram.
Não temos de sofrer antes com o que poderá nos atingir num futuro, talvez até bem distante. Temos mesmo de distribuir carinho aos demais, parentes e amigos em especial. Temos de curtir tudo isso já ao tempo de sua vivência. Claro que o passar do tempo vai mudando um tanto do que nos vem. Vamos descobrindo o tal de carinho e segurança que sentimos lá na infância, com papai e mamãe e ou vovó em especial. Também sabemos que na adolescência faremos oposição a eles, negando tudo o que pudemos aprender antes. E com a maturidade vamos repetir aos nossos, mesmo aos filhos, aquelas tantas palavras que criticamos na juventude quando nos foram ditas. O fato é que vamos somando tudo o que recebemos na nossa vida. E todas essas pessoas que passaram a nossa frente, que nos deixaram alguma mensagem, penetram em nós. E vão ficando lá no quentinho de todos nós. Todos são parte nós. Sei, sabemos, que um dia partiremos, mesmo que por vezes tentemos negar. E eles também poderão partir e nos deixar. Essa é a primeira sensação. Nossa enorme perda. Até que descobrimos que eles permaneceram em nós, na nossa mente, coisa que não se desfaz enquanto ela estiver inteira.
Um parente, um amigo que se foi materialmente tendo deixado suas marcas não se desfaz da nossa memória, vai continuar enquanto perdurar o que sabemos. E o que sabemos, nosso conhecimento, pode se alargar ainda mais se atentarmos para o sentimento que guarda lembranças vividas com seres queridos. Preservemos isso. É parte de nós.
Viver também é rememorar. O que nos ficou de tantos momentos devem ser também retomados, são passagens intermitentes permanentes da nossa vida. Trazem a satisfação de as termos vivido.