Gosto de ler faz muito tempo. Comecei lá na Bahia, em Salvador, já com sete anos e meio, como era então obrigatório para entrar na primeira série. Tinha feito a pré-escola em Porto Alegre, mas ainda não lia em plenitude. Logo após já decorava uns poemas, para declamação, coisa que amava fazer. As crianças de hoje se aprendessem tal forma de se expressar avançariam com bastante força e rapidamente na busca por saber mais. Continuei com essa prática até o Ginásio, como chamávamos o atual Fundamental II. Tive minhas tantas dificuldades no início, com as diferenças de expressão do Sul e do Nordeste, marcas fortes ainda pelos anos de 1950. Mas fui superando. O prazer de ler permaneceu em mim. E nunca mais me deixou.
Vejo hoje que muitos não sentem o prazer da leitura. Sem isso, toda a base da Educação não nos penetra. E o conhecimento do futuro deixa de ser coisa a se almejar. Lamentável. A leitura nos permite a interpretação do mundo, conhecer e entender o mundo como ele se expressa. E assim vamos nos dando conta da Cultura que vivenciamos, como somos. Com a leitura avançamos também nas Ciências. Nem a Matemática nos limita, mesmo com seus códigos. Tenta se dar conta disso tudo, meu caríssimo leitor.
Na preparação para a faculdade tive de ler ainda mais. E fui encontrando técnicas. Quando professor aprendi a leitura acelerada. Ajudou muito como pesquisador. Hoje não a uso mais. Gosto do prazer de ler página por página, curtindo uma a uma.
Uns conhecidos me disseram que agora, chegando aos oitenta aninhos, tudo fica mais fácil e posso ler quando quiser. Não é bem verdade. Vejam, tive uns problemas de visão no ano passado e fiquei meio de molho nas minhas leituras. Com isso, com meses sem ler, acabei juntando uma montanha de livros a me chamar, a me esperar. Agora estou seguindo em frente nessas leituras, e curto cada momento dos textos, para minha felicidade.
Esta semana terminei a leitura de um pequeno livro do Umberto Eco, “O Fascismo Eterno”, coisa curtinha, uma palestra dele em universidade americana sobre os movimentos de direita, faz uns anos. Ele vai descrevendo as características desses movimentos, que temos bastante a nossa volta na atualidade. Identifica bem, desde lá na primeira metade do século passado. Não houve grandes mudanças. Como sou de centro, não apoio nem um lado nem o outro. Nem no nosso canto nem o da turminha lá do hemisfério norte. Esse foi bem interessante, indico o livro!
Estou finalizando a leitura de um livrinho do Caetano Veloso, “Antropofagia”, com textos de uns tantos anos. Logo termino. Ele voa, em especial sobre a Bossa Nova e sobre a Poesia Concreta. É meio complexo. O Caetano sabe bem o que faz. Deveríamos ler mais não só os seus poemas, extremamente criativos, suas interpretações culturais são amplas, nos ajudam. Mas tenho uma boa lista também de livros sobre a Cultura Zen. Sobre Yoga, Meditação, olhar de Felicidade. Esses são de leituras diárias, nos meus momentos de repouso. Mais adiante, provavelmente, vou retomar a Yoga, nas minhas condições de hoje, claro, sinto falta. Você também tem de viver os seus planos. Avance.