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Jornal Diário de Suzano - 23/01/2022
COLUNA

Eduardo Caldas

Foi candidato a prefeito em Suzano em 2004. É professor de Gestão Políticas Públicas na USP

Tem gente com fome

15 ABR 2021 - 05h00
A fome recrudesce e me traz à mente um grupo representativo de seus adversários: Josué de Castro, Dom Helder Câmara, Franco Montoro, Dom Mauro Morelli, Betinho, Patrus Ananias, Célio de Castro, Lula, José Graziano e tantos outros. Todos esses, atores sociais e políticos atuaram em muitas frentes de batalha e todas eles combatendo a fome como inimiga comum. Todos esses, em momentos distintos, a partir de diferentes lugares de ação (sociedade civil, governo, organização religiosa), combatentes, lutadores contra a fome. Além deles também me vem à mente dois poemas: o Bicho, de Manuel Bandeira; e Tem gente com fome, de Solano Trindade. Esse último, aliás, título e inspiração de recente campanha que mobiliza a sociedade civil, apoiada por um expressivo grupo de artistas.
Segundo o estudo "Efeitos da pandemia na alimentação e na situação da segurança alimentar no Brasil" lançado recentemente (abril de 2021) por estudiosos brasileiros da Universidade Livre de Berlin, UnB e UFMG, a fome e diversas outras formas de insegurança alimentar aumentaram no Brasil desde 2020. O "Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar" da Rede Brasileira de Pesquisas em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional lançado em março deste ano também indica o aumento da fome e da insegurança alimentar no Brasil.
Além da fome, a obesidade, por paradoxal que pareça compõe o cenário de insegurança alimentar no mundo e no Brasil, intensificado pela crise sanitária. No caso específico do Brasil, fome e crise sanitária são intensificadas pelo desmantelamento das políticas sociais e de segurança alimentar.
Diante da fome, a Coalizão Negra por Direitos, Anistia Internacional, Oxfam Brasil, Redes da Maré, 342 Artes, ABCD - Ação Brasileira de Combate às Desigualdades, Nossas Rede de Ativismo, dentre outras organizações lançaram a campanha "Tem gente com Fome". Trata-se de uma campanha para angariar recursos financeiros e garantir a segurança alimentar de gente com fome espalhada pelo Brasil. Essa rede de organizações produziu um mapa da fome e conta com uma estrutura logística para a distribuição dos alimentos comprados com o dinheiro arrecadado.
As pesquisas realizadas e a ação da sociedade civil para dar de comer a quem tem fome e garantir o direto humano à alimentação adequada assegurado pela Constituição Federal é fonte de inspiração para que governos locais contribuam nessa batalha, seja rearticulando antigas ações de promoção da segurança alimentar, seja criando e fortalecendo Bancos de Alimentos, articulando políticas sociais previamente existentes, redirecionando os recursos da alimentação escolar para as famílias dos alunos impedidos de frequentar as escolas, e também articulando os circuitos curtos de produção e consumo e fortalecendo feirantes e agricultores locais.
São muitas as experiências de políticas públicas de segurança alimentar acumuladas ao longo dos últimos 40 anos, pouco a pouco desmanteladas na última década e que merecem ser revistas com urgência à luz desses novos estudos, da evidência da fome recrudescente e da ação e do grito da sociedade civil.
Que os prefeitos, sintam o pulsar das ruas, olhem para as organizações da sociedade civil, estabelecem o diálogo com as iniciativas contemporâneas, sensibilizem-se com nossos lutadores contra a fome, com nossos poetas, com Manuel Bandeira e especialmente com Solano Trindade que dizia em seus versos: se tem gente com fome, dá de comer!

 

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