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Jornal Diário de Suzano - 02/05/2026
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Coluna

As Brumas

02 maio 2026 - 05h00

O título me lembra as neblinas que nos surgem pela vida, não deixando claro tudo que se apresentaria a nossa frente. Poderíamos interpretar como dúvidas que se nos oferecem. Por mim nunca seria uma impossibilidade. Talvez em alguns pontos pudesse ser um desafio, mas, por isso mesmo por que não avançar e tentar superá-lo. Se temos de fazer, vamos fazer.
Estava pensando nesta data que vivenciamos agora. Há uma discussão ainda sobre esse Dia do Trabalhador. Coisa lá do final do século XIX. Mas lembremos um pouco. Na realidade, sindicatos dos Estados Unidos iniciaram discussões em 1884 para criarem condições novas de trabalho. A coisa foi se prolongando e somente em 1886 conseguiram se organizar de modo a se proporem a uma greve efetiva. A luta foi complicada com fortes reações governamentais e policiais, com mortes e prisões. A partir daí a ideia se espalha pelo mundo, especialmente na Europa.
As comemorações do Dia do Trabalhador vão se solidificando no início do século XX por toda a Europa. Os Estados Unidos até hoje ainda não oficializaram tal reconhecimento em 1º de maio, que marcaria um registro em sua história.
E vejam que interessante, discutia-se o estabelecimento concreto e geral de uma jornada de trabalho com redução das dezesseis horas diárias de então para oito horas por dia. Coisa que só foi mesmo se estabelecer no período entre as duas grandes guerras do século XX pelo mundo. Sabemos que ainda existem abusos nesse período de trabalho, não só no Brasil, mas em muitos países. Coisa que estamos agora rediscutindo aqui, por jornada menor, já aprovada por muitas outras nações.
A data de 1º de Maio é reconhecida em todo o mundo, salvo poucas exceções, como o Dia do Trabalhador. Na década de 1930, no período e Getúlio Vargas, a denominação aqui no Brasil passou a ser de Dia do Trabalho, como uma forma de controlar as manifestações. Mas com o prosseguir da História voltamos a expressão universal.
Mas não deixemos de homenagear os que fazem o mundo andar com seu trabalho, mesmo nós e tantos mais.
Lembrei de um poema meu com mais de vinte anos. Nele trato desse fazer, da labuta.
“Lide”
“minha lide é ser poeta/ portanto/ aqui estou/ para cantar as coisas naturais da vida/ de gente que labuta/ e ama o que vive/ sentindo os passos fortes sob o sol/ a pele cobre/ com as gotas prateadas/ do orvalho das manhãs/ ou das chuvas noturnas/ que orne com doçura/ e com paixão/ de irmãos amigos/ e desesperados amantes/ antes que se desfaça o dia/ ou nos escape dos dedos/ os beijos que deslizarei/ no seu corpo/ na alegria da luz/ no encontro do sonho”
E num dia como esse trago igualmente a escolha que me fez enfrentar as brumas e que vejo tão atacada nos tempos atuais. Viva o Dia Internacional e Nacional da Educação! Viva os Trabalhadores da Educação!, que saúdo neste poema:
“As Brumas”
aprender é tão lento/ todos os dias agradeço/ cada nova oportunidade de aprender/ um professor também/ vai aprendendo devagar a ser mestre/ um aluno leva tempo para saber/ ver e ouvir e entender o mestre/ levei meu tempo/ mas aprendi que se a noite foi escura/ e se a manhã se desperta em brumas/ podemos ter certeza de que o sol vai brilhar/ forte e cheio de calor e vida”
Que a vida seja poética a todos.