Assisti uma violência contra idoso na rua. Estava fazendo a minha caminha, quando mais adiante, um idoso de bengala, que vinha na calçada, parou frente a uma jovem, que ia em sentido contrário. Esperou que a jovem saísse de sua frente. A jovem não desviou, simplesmente, deu um empurrão no velhinho, que caiu no chão. Acelerei para ajudar a levantar o idoso. A jovem seguiu adiante, com mais pressa. Ninguém seguindo na calçada parou para ajudar. Ninguém parou a jovem.
A cena me incomodou bem. Não só por ser idoso também. Ainda que me dê conta de que coisa igual pode me ocorrer. Mas, principalmente por constatar que a violência gratuita, absolutamente desnecessária, irresponsável, está cada vez mais ampla, cada vez mais visível, em nossa amada terra.
Claro que todos sabemos da violência exacerbada contra mulheres, especialmente na vida doméstica, tantas vezes levando a homicídio. São números imensos diários. Sabemos igualmente, sem que possamos fingir ignorar, da violência contra crianças. Ataques de todos os níveis, não somente de pretensões sexuais, que já são impactantes. Por tudo isso mesmo não deveria me espantar pela cena que vi ostensiva, pública. E feita por uma moça.
Sei bem que não posso deixar de me preparar para tais eventos nos tempos logo adiante, devo sim, estar pronto a sofrer novas visões impactantes assim.
Como ignorar os números abrangentes da nossa população de idosos, eles estão ultrapassando o de crianças. Temos menos nascimentos, mais idosos permanecendo. E toda essa gente mais frágil, mais vulnerável, não pode ser esquecida. Elas estarão mais presentes a nossa frente, diariamente.
Só para termos uma ideia mais clara, os dados do IBGE do ano passado, 2025, indicam que já ultrapassamos os trinta e cinco milhões de pessoas com idade superior a sessenta nos. Pensemos bem, isso supera os 16% da população total brasileira. Aliás, é interessante considerar que a maioria são mulheres, o que já amplia a vulnerabilidade delas. E para não ficar fora dos dados, as regiões Sudeste e Sul são as com os maiores números de idosos de todo o País.
Queiram ou não, mesmo sendo muito questionado por todo o Brasil, temos de reconhecer que houve uma real preservação da vida. Alguns estudiosos reconhecem nesses dados a real longevidade se ampliando, o que também implica num progresso civilizatório. Apesar de tantas críticas, temos tido concretamente com isso tudo uma melhoria das condições de saúde da população. O SUS, um dos mais amplos sistemas de saúde do mundo, respeitado por toda parte, agora também sendo instalado do México, deve ser reconhecido como parte de todos esses números. Claro que sabemos termos ainda de fazer muito mais na melhoria das nossas faculdades de Medicina, mas, paralelamente, temos uma efetiva melhoria do nosso san eamento básico como igualmente da nutrição da população. Tanto a saúde física quanto a saúde mental dos idosos tem de ser muito observada.
E ante tudo isso, um ponto que afeta em especial a todos os idosos, é a sua fragilidade frente aos golpes a eles que sabemos intensos nas redes sociais digitais. Isso não pode ser desconsiderado.
Gente, todo esse quadro vai ser mais e mais ampliado nos anos a seguir. As autoridades não podem relaxar. Infelizmente, percebemos posturas negativas. Faz poucos anos atacaram os idosos, aprovando uma mudança legal, com base inconstitucional, contra os idosos. Estabeleceram que se for constatado déficit autorial na previdência pública, os culpados não precisariam ser investigados e punidos, os valores perdidos deveriam ser cobrados dos aposentados. Se na prática todos os aposentados são mesmo idosos é inconstitucional puni-los. Deveriam, ao contrário, serem protegidos. A aposentadoria foi paga antecipadamente pelos aposentados, não é uma doação governamental. Temos de repensar bem como vamos salvar os idosos.


