Suzano é a minha Cidade. E sempre tentarei passar a todos os nossos pontos importantes. O orgulho de poder ter contribuído, feito descobertas ao longo do tempo entra e fica em nós. Se mais gente da nossa Vila souber de sua História, mais conseguiremos afastar e restringir os vândalos.
O povo que vivia, no século XVI, onde hoje fica o Centro da cidade de Suzano, era conhecido por “Mirambava”, uma expressão que o caboclo atrofiou do tupi-guarani “Manh’wara”. Minhas pesquisas revelaram que a expressão significa “aqueles que comiam “wará-itás”, ou “guará-itás”, caranguejos de rio, com casca dura (como pedra, “ita”). Esse espaço era um cerrado, como a região do Vale do Anhangabau, em São Paulo. O rio Guaió inundava várias vezes por ano o lugar e quando retornava ao seu leito deixava sobre o campo, além de peixes, também uns caranguejos de rio, de casca dura, ou seja, pedra. Aliá s, a expressão Guaió, significa, também em tupi-guarani, “rio que volta sobre si mesmo”. Ele desaguava no rio Tietê, que era mais poderoso e retornava a seu leito. E gente antiga de Suzano, ainda lembra que há uns trinta anos os rios de Suzano, Guaió e Una (antigo Figueirinha) inundavam muito os arredores.
Um fato inegável é que os nomes que os indígenas davam aos pontos geográficos, rios e mais, sempre descrevem pontos inegáveis, sempre reconhecidos por todos os estudiosos como absolutamente corretos. E nós, que aqui estamos, e ficamos, nesse campo, nesse cerrado, hoje urbanizado, somos o atual Povo Mirambava. Mudamos o cerrado. Plantamos uma cidade. Mudamos a nós próprios. Não podemos nos esquecer das origens dos que nos deram base para sermos o que nos transformamos ao longo do tempo.
A todos nós, dedico uns versos da minha poesia, que singelamente chamei de “Minha Cidade”:
“uma cidade pode ter sua paisagem/ rica de morros e de cores/ de ruas e de rios//
ou pode mesmo ser pobrinha/ de tanta gente que não lhe quer/ só na busca do que lhe renda//
pode uma cidade subir/ pelas plácidas colinas urbanas/ adormecida em blocos descorados/ para acordar os dias cinzas/ e recolher-se em meio às noites/ quem sabe esconder-se na neblina// tem esta um rio descuidado/ serpeante pelo vale/ em femininas generosas curvas/ uma encruzilhada de entradas/ que se abrem caminhos pelo campo/ que foi um dia dos manh’waras//
uma cidade pode ser uma casa/ como esta minha/ ter quartos/ corredores/ quintal/ até jardim//
de algum modo/ com todo o coração/ estes braços/ e umas tantas ideias que achei/ ajudei a erguê-la do chão//
não estava sozinho/ nunca se está/ dentro de uma vila/ que será sempre minha e sua/ será nossa/ mesmo que não queira/ ou não saiba//
queria muito/ que um pouquinho todos dessem/ as suas mãos solidárias/ como um carinho/ que lhe estamos a dever//
uma cidade não é aquela sua imagem/ frio desenho de elevadas arquiteturas/ flutuantes em meio à fumaça fabricada/ como se fria bruma pelos montes// uma cidade é a sua gente/ a gente que nos faz o tempo/ a gente que lhe ilumina os versos/ que lhe faz em poesia”
Avante no caminho que fazemos!



