Os que não querem me perdoem, sei que tem gente incomodada, mas também tenho de falar meu tanto sobre essa Copa de Futebol que nos atingiu faz poucos dias. Como um me disse um tempo lá atrás: “Você não é famoso por jogar futebol.” Está certo, sou conhecido por outras áreas. Mas todos sabemos que poucos dos que vão aos estádios são jogadores.
Está bem, joguei principalmente vôlei, desde criança, ensinado por meu pai. Fiz ginástica por vários anos, corrida, atletismo e outras. Mas não vamos fingir que o futebol não nos afeta a todos nesse nosso país amado. Lembro bem da primeira Copa que ouvia no rádio. Estava entrando no antigo Ginásio, Fundamental II. O garoto Pelé se destacando enormemente. Fui a primeira vez ao Maracanã nos meus dez anos de idade. E torci desde aquela época pelo Flamengo, morando no Rio, depois para o Santos, morando em São Paulo.Está certo, perdemos mais uma Copa. Mas ninguém ainda nos superou nas nossas cinco conquistas mundiais.
Sinceramente, uma das coisas que mais me chamou a atenção dessa vez foi como jogavam. Achei tudo muito violento. Os jogadores uns seguravam os outros. Empurravam, derrubavam. Sem o menor constrangimento. Como se fossem coisas normais. Desde sempre tínhamos instrução de evitar “faltas”, ataques aos demais atletas. Esse desrespeito pareceu agora algo bem normal. Vi também em jogos por aqui. Caramba! Isso é negativo. Inaceitável. A sensação é de que a maioria dos árbitros não via, ou não queria ver, o tanto de desrespeito, o número de cartões amarelos, e de vermelhos, claro, seria imenso.
Outro fato que me impactou foram as falas de alguns dos nossos jogadores, vários manifestavam um enorme desinteresse pela Copa. Vi umas declarações que romperam o meu equilíbrio: “Tiraram as minhas férias para eu vir jogar aqui”. Significa que esses tantos não foram lá com orgulho para serem vitoriosos, aliás, foi o que bem demonstraram. Outros so queriam exibir as suas vaidades, saberem que são milhonários, tem belas namoradas e por aí.
E permitam-me interpretar, com exceção de uns poucos, eles não eram “Jogadores na Seleção Brasileira”, que por tantos anos foi um orgulho nacional. Eles mostravam-se apenas como jogadores de alguns times “chamados” para outras atividades suplementares. Eles praticavam suas atividades profissionais em campo, mas sem assumirem a Seleção, não mostravam ter muito interesse efetivo em se bater por uma vitória naquela condição. Desculpem, mas isso me incomodava ao ver se exibir tão ostensivamente um jogo após o outro.
Não pude perceber que havia um Orgulho Nacional, um Orgulho de Ser Brasileiro. Poucos se mostravam como efetivos jogadores da nossa Seleção. Eles não se mostraram como jogadores brasileiros, tantos atuando no Exterior, provavelmente perderam a característica de serem daqui da nossa Terrinha. Sei a diferença. Morei por vários anos no Exterior. Mas sempre quis voltar para junto da minha gente, mesmo sabendo que era comandada por pessoas complicadas em outros tempos. Aqui o meu orgulho.
Nem emocionalmente, nem conscientemente, os nossos jogadores não mostravam ser parte de uma Equipe. Atuavam num grupo a que foram contratados. Coisa incomodativa para mim. Sou antigo, talvez...



