É normal ficarmos emocionados ao lembrarmos de nossas mães. Elas sempre seguram as nossas pontas, nossos extemos, o que nos põe em equilíbrio ante o mundo.
As mães nos mostram o caminho a nossa frente, coisa que nem sempre identificamos. Desde lá no início quando nos deram a luz, como a vida, ao abrirmos os olhos. A luz nos aponta sempre a direção a seguir.
Sabemos que as mães deixam essas marcas, que ficam em nós, mesmo depois de suas idas. E as retomamos sempre que podemos como sempre que precisamos. A minha mãe, Dona Maria Izolete, se foi, faz décadas, mas era um encanto em meu percurso. E mesmo hoje a luz de seus olhos ilumina por onde sigo. Sempre que podia, vinha do Rio de Janeiro onde morava para nos ver e ficar com os netinhos. Minha sogra, Dona Jussara, também sempre foi doce comigo e com os netos. Sempre presente em tanto quando pode.
Casei-me com a Cristiane, uma garota forte, em 1971, aqui em Suzano. Foi alegre, com ambas as famílias e amigos. Depois saímos do País, vivendo com as diferenças que isso implica.
Tive uma felicidade bem poderosa na minha vidinha. No ano de 1975, quando vivíamos na França, minha amada mulher, ficou grávida. Tínhamos programado, mas a novidade trouxe muita alegria para nós. Estávamos concluindo os nossos Mestrados na Sorbonne. Mas nada nos apavorava. Nunca havia pensado em ser pai, mas se podemos vivenciar uma bela novidade, vamos adiante. O que precisamos saber? Então me perguntaram se queria fazer o preparo de pré-natal. Conversei com amigos que assistiram partos, me impactaram, alguns tinham desmaiado. Carambola! Seria tão impactante?
Assisti as aulas de preparação, sempre aprendemos. Minha mulher estava bem pronta. Pouco após o ano novo, no dia 2 de janeiro, a natureza nos achou, antecipando-se. Ligamos para o hospital, que nos chamou: “Venham já!” Fomos. Tivemos de esperar ainda era cedo. No começo da noite fomos para a sala de parto. Logo me disseram: “Se não se sentir bem é só pedir para sair.” A coisa foi andando, não tive nenhum mal-estar, acompanhando tudo. O bebê nasceu, mesmo prematuro ele era alto e com bom peso. Minha mulher foi ser cuidada e fui acompanhar a atenção ao bebê. Tudo direitinho. Depois de todo o processo foram levados para o quarto. Minha mulher, a mãe, estava bem tranquila, contente, com o bebê no bercinho ao lado da sua cama. Isso me deixou mais seguro. Mas não havia vaga ali para mim. Até que chegou minha hora de ir para a nossa casa. Estava muito feliz. Um novo mundo se abria para mim, para nós. Sabia da atenção, dos cuidados da Cris para que tudo aquilo transcorresse assim calmo, bem. E seguimos.
Dois anos depois, já de volta ao Brasil, em Suzano, pensamos numa nova gravidez. Então vamos em frente, decidimos, claro. No meio da festa do meu aniversário os sinais chegaram, fomos para a Santa Casa. Os amigos médicos foram avisados. Mas acharam melhor não entrar todo mundo para assistir o nascimento. Ninguém entrou, fiquei esperando. Depois do parto, me chamaram. Tudo bem, tudo calmo, a mãe estava tranquila.
A Cris sempre foi uma excelente mãe, mesmo hoje com os filhos adultos, e mais as netas, garante a segurança do que se fizer necessário.
Aprendi muito. Continuo aprendendo, com uma mãe forte ao meu lado.


