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Jornal Diário de Suzano - 18/07/2026
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Coluna

Oitentanizando

18 julho 2026 - 05h00

Este mês de julho se inicia emocionante. Vários a comemorar na família.
Vou me preparando para marcar os meus oitenta aninhos de vida. Além de mim, em casa somos mais três agora, antes havia também a minha irmã Suara Vicentina, que já se foi para o Oriente Eterno. Neste mês temos marcados em nós a netinha Sofia, já estudante de Medicina, a Cristiane, minha amada mulher por esses 55 anos juntos, a minha encantada filha Juliana, e eu. Farei o registro com a minha família na minha cidade. Não havia como ser diferente.
Lembrei daquele poema do Carlos Drummond de Andrade, “Confidência do Itabirano”, em que ele diz: “Tive ouro, tive gado, tive fazendas./ Hoje sou funcionário público./ Itabira é apenas uma fotografia na parede./ Mas como dói”.
Eu nasci numa cidade, mas nem fui criado lá. Morei por quase todo o Brasil, de norte a sul, quase a chegar a minha adolescência. Até que encontrei uma cidade, a da minha mulher, e a fui descobrindo até que me descobri dentro dela quando a reconheci dentro de mim. E foi daí que fiz o meu poema “Fotografia”, dedicado ao Povo Mirambava”, que somos nós: “Nunca tive uma daquelas fotografias/ como o Drummond/ Nunca tive uma Itabira/ mas quanta falta me fazia/ E a mim como ao Poeta/ também como doía// Um dia/ encontrei a vila/ e a ela me dediquei/ Não me deu ela ouro/ tampouco me deu gado/ nenhuma fazenda me deu/ Deu-me um jeito de olhar o mundo/ Deu-me aquela terna saudade/ cada vez que dela saia/ Deu-me um olhar orgulhoso/ de saber de onde eu vinha// A cidadezinha cresceu/ Cresceu mais dentro de mim/ Vesti-me de funcionário/ Criei parentes/ Criei amigos/ Criei meus filhos/ Criei irmãos// Que bom será/ se não tiver mais que partir/ Só de pensar/ dá uma dor besta no peito/ e um embaraço na vista/ que chega assim/ de repente”.
Casamos em 1971, aqui em Suzano, no cartório do Dr. Mayer, então, ao lado do antigo Paço Municipal, ode hoje funciona o INSS. Depois fomos morar na França. Foram cinco anos especiais, distantes. Voltamos em 1977, já com o nosso filho Rodrigo, nascido lá na Europa, no ano anterior.
Meus sogros, seu Martin Hermann e Dona Jussara, nos ofereceram uma casinha que tinham no quintal da casa deles. Fui trabalhar na “Assessoria” de Educação, então conduzido pela Dra. Dulce Lima, na primeira Administração do Prefeito Estevam Galvão. Na época ainda não havia Secretarias no município. Fizemos os cálculos, daria para aguentar a vida e nos abria esperanças. A Prefeitura funcionava inteiramente, junto com a Câmara, no antigo Paço Municipal. Iniciei minhas pesquisa sobre a Cidade, lindas descobertas.
No ano seguinte passamos a atuar, na Educação Básica e em Universidades, o que continuamos por mais trinta e tantos anos.
Publiquei livros, fui premiado umas tantas vezes. Ajudei a construir a minha Cidade. Aqui é o meu lugar. Orgulho. Agradeço muito. Carpe Diem.
Agora, oitentizando, tenho marcas, deixei marcas.
Felicidade chegar até aqui, com esperança de mais.