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Jornal Diário de Suzano - 19/09/2026
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Coluna

Uai IA!

19 setembro 2026 - 05h00

Prometo que não vou falar do clima, dessa chuvarada danada que nos ataca e nos faz padecer. Esse tal do “El Niño”, um menininho, está nos jogando pro alto. Com nosso tempo mais equilibrado há anos estamos nos sentindo fora do mundo.
E prometo também não me deslocar para a Suprema Corte. Não vamos dar interpretações do que nem entendemos. Está bem. Vamos tratar de outra coisa que nos assola também. Essa tal de IA é bem complicada, né mesmo!
Recebi uma mensagem interpretando o que temos hoje como regras dominantes. Vamos ver com calma. Coisa não muito longa mas nos provoca reflexão:
“Uma sociedade que obriga uma pessoa de noventa anos a usar um smartphone para acessar seus próprios direitos não é moderna: é uma sociedade que decidiu se livrar de seus idosos. Em 2026 tudo virou um aplicativo, um código, um portal. Mas quem construiu este país com as próprias mãos hoje se encontra analfabeto dentro da própria casa. Para marcar uma consulta ou pagar uma conta, é preciso um filho ou um neto – quando existe um. O sistema falhou. Isso não é inovação. É exclusão. A tecnologia deve ajudar, não selecionar quem tem direito à dignidade. Quando deixamos para trás aqueles que vieram antes de nós, não estamos evoluindo: estamos apenas nos tornando mais cômodos e mais egoístas”. Como você, meu caro leitor, se vê diante disso tudo? Sabemos, de fato, que a garotada dança alegre no meio dessas novas linguagens. Mas os adultos sabemos que nem sempre. Não fomos impedidos, mas muito de nós nem tivemos acesso a esses novos instrumentos. Há pouco mais de cinquenta anos fiz meu primeiro Mestrado na Sorbonne tratando de um livro inteiro de Poesia, do grande mestre Português Eugénio de Andrade, num computador. Naquele tempo tínhamos de digitar todo o texto em cartões, que eram perfurados para depois serem lidos pelo aparelho. Um computador ocupava toda uma sala de vinte por vinte metros. Com isso interpretei todo o livro, todas as palavras, e, a seguir, todas as metáforas poéticas. Hoje é coisa simples. Mas somente quase dez anos depois disso consegui comprar meu primeiro computador pessoal. Hoje é coisa banal. Se trata disso tudo até pelo celular. Mas...
Hoje, com os meus oitenta aninhos, vejo a coisa diferentinha. Essa semana tive de ir ao meu Banco para reabrir o seu aplicativo no meu celular. O bancário que me atendeu logo encontrou os problemas e os resolveu. Pude observar e seguir as regras.
Tem um monte de expressão em inglês que nem todos conseguem entender. Coloca um “pin”! Mas sei de amigos que não conseguem tudo. Tem mesmo de pedir ajuda aos “filhos” ou aos “netos”, como denuncia aquela mensagem acima. O processo de IA (Inteligência Artificial), nos ataca forte. Onde anda a “modernização” que tanto afasta hoje não só os mais velhos como os tantos desarmados deste nosso amado País? Estou lendo o mais recente livro do Dan Brown, “O Segredo Final”. Ele trata ali não só da EQM (“Experiência de Quase Morte”), que vivi também, como o meu amigo Antonio Carlos Garcia, mas também da tal de Inteligência Artificial, que pode oferecer riscos mortais para a humanidade. Vamos saber mais disso e nos prepararmos.