O mercado valoriza quem consegue se manter relevante ao longo do tempo. No dia a dia, isso se traduz em renovação contínua. O consumidor muda de expectativa, amplia repertório, eleva o nível de exigência e reduz a tolerância ao que soa previsível.
O que ontem funcionava com eficiência hoje corre o risco de simplesmente passar despercebido. Com o desafio de se manter atual, muitas empresas ainda recorrem ao caminho aparentemente mais prático: observar o concorrente e reagir a partir dele.
O problema é que essa lógica tende a produzir apenas variações do que já existe e, frequentemente, desconectadas da estratégia da própria marca. Por isso, é fundamental direcionar o olhar para quem realmente sustenta o negócio: as pessoas que usam, compram e decidem.
Consumidores estão o tempo todo emitindo “dicas” no que escolhem, no que evitam e no que abandonam sem aviso. É nessa leitura mais atenta que surgem oportunidades de potenciais inovações.
Mesmo assim, sabemos que há sempre a chance de criar ideias repetidas, que já foram feitas. É aqui que a disciplina ganha protagonismo. Quando o pensamento criativo deixa de depender de momentos esporádicos de inspiração e passa a operar com método, ele se torna mais consistente e confiável.
Uma abordagem que gosto é a definição de uma quantidade mínima de ideias. Essa técnica é baseada em um princípio simples: volume como estratégia.
Por exemplo, você pode estabelecer como objetivo criar dez formas diferentes de melhorar o atendimento da sua empresa. Esse exercício, aparentemente simples, ajuda a elevar a qualidade das soluções, pois força o cérebro a ultrapassar as primeiras ideias, que geralmente são mais óbvias.
Que tal testar? Escolha um desafio interno hoje, defina uma quantidade de ideias e comece. Não pare, mesmo que goste das primeiras soluções. Você pode se surpreender com o que surge à medida que avança no método.
Esse tipo de postura está diretamente ligado ao comportamento intraempreendedor, caracterizado por uma inquietação produtiva e pela recusa em aceitar a primeira solução viável como definitiva.
A próxima ideia realmente transformadora para sua marca pode estar mais próxima do que parece. A estratégia é continuar pensando e, claro, discutir novas ideias com pessoas de confiança. Trocar figurinhas também faz parte do processo criativo.


Thiago Adriano é diretor de criação, estrategista e empreendedor - (Foto: Divulgação)

