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Suami Paula de Azevedo

Amigo? Namorado? Irmão?

01 junho 2024 - 08h00 Por Gabriely Machado
Amigo? Namorado? Irmão?

Aproximando-se o Dia dos namorados, lembrei que há a uns bons anos, assisti a uma palestra em que foi lembrada a necessidade das mulheres de, diariamente, ouvirem os seus homens lhes dizerem que as amam (bem mais de uma vez, obrigatoriamente). E ai do homem que ousar esquecer de fazê-lo, será, de modo inevitável, não só cobrado, como colocado sob suspeita.
Pensava nisso quando me deparei com um outro “problema” filosófico-existencial: qual é mesmo a diferença entre amizade e amor? Seria a amizade uma forma de amor? Pois, já li afirmações de que amizade seria uma forma de amor assexuado. Ou, por outra, diferiria do amor por não envolver a relação sexual. Será que isso é real hoje, será que já foi real algum dia?
Assisti, faz um tempo, documentário sobre a juventude atual que “fica” e não namora. Havia uma banalização das manifestações do sexo, com qualquer um, qualquer uma. Nem estou seguro se isso acontece apenas agora. Numa conversa, alguém argumentou-me que isso levaria à compreensão de que amizade só ocorreria entre pessoas do mesmo sexo. Contestei perguntando desde quando seria isso uma limitação ao sexo? 
Nessa linha, lembrei-me de, trocando idéias com professores, referir-me a uma brincadeira que vi de uns garotos. De olhos vendados tinham de adivinhar do que se tratava: “Beijo, abraço, aperto de mão?” Lembrava de pergunta semelhante na minha infância/adolescência: “Amigo, namorado, irmão?” Pareceu-me, tão somente, hoje, a linguagem ser um pouco mais direta.
Será que tínhamos a noção clara dos significados de tudo o que dizíamos naquela longínqua brincadeira? Será que eles têm melhor visão nos tempos de agora? Será que infância, adolescência, juventude, velhice é tudo igual, não importa a época?
O que me leva a perguntar, será que existem limites? Como se impõem esses limites? 
Seriam esses limites tão somente culturais, que adquirimos com os costumes, com a convivência com o nosso grupo social? Serão também, ou apenas, psicológicos? E por isso mesmo modelariam, condicionariam, o físico? E aí, também, entrariam as questões de Ética? Devo-me comportar assim? Seria um ordenamento íntimo, personalíssimo? Se não o fizer será que vou sentir-me culpado por cometer falha de postura? Será que me magoa ofender minha noção de moral?
A Poesia, como a Filosofia, pode-nos fazer pensar nessas coisas. E não apenas a poesia lírica, que pode questionar a nossa sensibilidade. Nem mesmo aquela outra poesia incisiva, afirmativa. Será que continuamos a buscar respostas para como viver entre as pessoas? Seria da nossa natureza interrogar? 
Ainda que observemos, especialmente em nosso País, o que chamo de “relaxamento das vontades” de questionar, de protestar. As pessoas estão mais acatando o que lhes mandam. Imagina agora, com eleições e as Fake News liberadas...
“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, diziam os versos de Camões no século XVI. Será que mudamos nos tornando o mesmo? Uma questão de olhar?