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Ensina-se Vida Artística?

10 agosto 2024 - 08h00 Por Gabriely Machado
Ensina-se Vida Artística?

Há uns dez anos escrevi algo sobre esse tema e esta semana me questionaram porque se perdia tanto tempo nas escolas com Literatura e menos com vida técnica, “que o Brasil precisa mais”. Interpretação? 
De fato, também cursei Letras. Acabei lecionando. E, quando me dei conta, gostava do Magistério. Ou melhor, reconheço, amava lecionar. Como gostava disso, adorava aprender. Acaba não tendo outro, é esse o jeito.
Porém, vamos retomar, cursei Letras porque desejava ser escritor, poeta. E, me parecia claro, queria saber as técnicas. Queria mesmo dominar as técnicas da escrita artística. E descobri que precisava ler, prosa e poesia, textos teatrais, jornalísticos... Ah, tinha muito para ler. Fui estudar as palavras, a Filologia. Estudar as construções dos discursos, a Linguística. Fui até as interpretações, a Semiótica. Com alguns amigos, e bons mestres, ultrapassei a Sociologia e a Antropologia, e cheguei até a Semiótica das Culturas. O enfoque científico me envolvia. Amava a Lógica e a Matemática. E nunca vi as Ciências Humanas como alguns, sendo apenas um bla-bla-bla... E mesmo na abordagem dos estudos da Literatura, cientificamente, sempre entendi como normal tratá-la com Lógica. Também a Literatura tem sua técnica. Fui Estruturalista, o que nunca considerei ultrapassado. Sei de outras abordagens, posso até respeitá-las, mas sei que o homem constrói, mesmo a arte mais sensível, com técnica. Mesmo que ele não denomine ou não identifique como técnica, com método, com rigor. Temos na nossa tradição uma expressão: “Gosto não se discute”. Completo essa manifestação: “Gosto também se Educa”. Sempre podemos aprender mais. Gostar de Arte e Cultura não diminui o enfoque científico de ninguém. Pode mesmo torná-lo até mais sensível ante o universo. E a Literatura precisa ser ensinada e aprendida. Ela pode nos levar muito mais longe. Aprendendo mais palavras, como melhores construções do uso da nossa fala e escrita. Brincam com bobagens escritas nas redações do ENEM. Dizem que jovens leem pouca literatura artística. Gente esquece que a linguagem é um código. Se cada um usar o código a sua maneira, logo ninguém vai se entender ou se comunicar. Será uma nova Babel. A escola hoje não ensina mais Literatura, dizem pesquisas atuais. O aprendizado se faz também, necessariamente, pela própria prática do aluno. Pelo permanente aprendizado do professor. Por que será que há redução do número de professores que se interessa por Arte e Cultura? Pesquisas dizem que os professores leem mais livros técnicos do que de ficção. Será, verdadeiramente, que isso os qualifica mais? Será que não acabam passando essa ideia para os alunos, para a sociedade? E o que isso tem mesmo de bom? A Imprensa acaba de divulgar que 2.500 mulheres são agredidas em nosso País diariamente. Será que não precisamos de mais sensibilidade? Mais respeito aos demais? Temos muito a melhorarmos. Mas uma prática só se realiza se a executamos. Podemos aprender, sim! Tentemos melhorar nossos atos, nossa Vida. Escola ajuda, mas temos mais espaço a usar.