Como não lembrar de meu Pai, que amava Poesia. Em especial a do Parnasiano Olavo Bilac. Correspondia a sua geração. Certamente me influenciou bastante essa preferência. Eram a maioria dos poemas que havia em casa. Os que primeiro me atingiram. Obrigado, meu Pai.
Abriu-me caminhos. Esses longos e desafiadores caminhos em que não se para de aprender.
Estava mexendo em meus livros. Tenho periodicamente de me desfazer de alguns. Experiência que vai ficando um tanto mais difícil pelos dias que se seguem. Certos amigos gostam, e ofereço aos que sei vão utilizar mesmo. Já me frustraram claro. Lembro que doei livros e recortes de jornal e outras publicações sobre literatura de cordel a uma entidade. Tinha uma grande coleção. É uma literatura muito formal até pela sua origem e tradição. Estudei muito. São Paulo já foi o maior produtor e consumidor de literatura de cordel (base nordestina). Um dia precisei e fui tentar rever. Tinham se desfeito. Como me disse um (ir)responsável, “só tinha um monte de papel velho, uns livretinhos vagabundos, era lixo, já jogamos tudo fora”. Faz parte da vida ouvir isso.
Além de escrever, sempre gostei de estudar o formato da Poesia, sua construção, variações, características e alternativas. Lembro que sempre li poemas, mas não me empenhava em escrever. Até que um dia descobri que as meninas gostavam de poesias, de ouvir poemas, de receber poemas. Isso me agradava. No início copiava dos mestres. Depois fui tentando fazer os meus próprios versos. Eram sempre metrificados. Esses foram os meus modelos de abertura. Tinha lá meus quinze anos de idade, ainda em Santos.
Aos dezoito anos, em Porto Alegre, pude conhecer o Mestre Quintana. E fui sendo levado aos versos livres, sem métrica. Era difícil. O primeiro poema que publiquei no Jornal da Escola foi um soneto. Tentando me libertar da métrica. É só o que me lembro. São mais de cinquenta anos passados. Aos vinte anos já escrevia poemas inteiros sem métrica, ainda que ligado de algum modo à rima final, mas já saindo para a rima mediana. E fiz uns modelos de poemas, com certa forma de sonetos, mas algo sem métrica, a que chamei de “Quase Sonetos”. Consegui influenciar alguns amigos a seguirem do verso livre ao métrico, chegando, ou passando pelos “Quase Sonetos”.
E, como disse, nunca deixei de estudar o “Fazer Poético”. Andei tentando escrever um Dicionário de Poesia, comecei, mas nunca terminei. Quem sabe um dia?... Na Universidade fiz muitos estudos da Arte Literária, em especial da Poesia. Meu primeiro Mestrado foi uma abordagem de um livro do grande poeta português contemporâneo, já falecido, Eugénio de Andrade. Um estudo Linguístico bem Estruturalista, como é o meu jeito, em 1976. Foi o primeiro estudo acadêmico sobre a sua obra.
Mexendo nuns livros, esses dias encontrei uns tantos sobre a forma poética, destaco alguns, que me parecem ainda são marcos significativos: “Como Ler Poesia”, de José de Nicola e Ulisses Infante, da Scipione, 1988; “O Estudo Analítico do Poema”, de Antonio Cândido, da FFLCH-USP, 1987.
Poesia para os Pais.



