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Suami Paula de Azevedo

É escritor, responsável pela Mirambava Editora, palestrante e professor universitário. E-mail: suamiazevedo@uol.com.br

Lento Silêncio Adiante

16 AGO 2019 - 23h59
Talvez o frio que nos chega e domina nesses dias. Talvez a saudade do mar, que me está longe. Talvez apenas queira enviar uma proposta aos meus amáveis leitores. Sei lá, quem sabe foi a lembrança da querida e sensível amiga Sandra Carrillo, premiada fotógrafa, que me ofereceu uma foto a que apliquei um poema com este título: “Lento Silêncio” (Antologia, Chiado Books). 
Versos me vem:
“imóvel miro a tênue luminosidade/ se desfazendo ao longe”
Lembrei de um tempo. Fiquei olhando o finito espaço até onde a vista alcançava frente ao mar. A lei da gravidade me explicava como a água não despencava no espaço. Ficava ali sobre a areia, segura, girando enquanto girava o planeta. Nada escapava no espaço sem fim. 
Depois de um tempo a gente esquece, nem pede explicações lógicas sobre o fenômeno que retém tudo, todos nós mesmos, sobre a face da Terra. E lá ia o mar, se estendendo ao longe, até a curva terrestre, logo abaixo do horizonte.
Não podia deixar de pensar nos seres humanos e em suas qualidades e defeitos. Já dei algumas voltas por outros espaços, tratando com gente de outras culturas. Sei que somos diferentes, somos diversos, naquilo que nos aproxima. 
Sei também que o homem não é mau em sua estranha natureza. Mas sei também que podemos agir de modos muito, demasiado, malvados sobre os nossos semelhantes, sobre as coisas que nos cercam, sobre os seres que existem a nosso lado. Como sei que alguns podem até sentir algum prazer nos ferimentos alheios.
Minha memória olhava o mar se afastando ao longe enquanto pensava nisso. Imensidão a se alargar muito além de nós, muito além de mim.
E lembrava discursos alheios. Alguns emocionados de raiva ou paixão. Outros perfeitamente racionais na sua sequência, mas irracionais na sua lógica ideológica. E me dava conta de que ainda me chocava, ainda me causava espanto, saber que os discursos de tantos nada tinham a ver com os seus atos, com as suas próprias práticas. Eram realidades que se chocavam, coisas que ainda me espantavam. Mesmo depois de tantos anos a ler, ouvir, estudar, analisar os discursos e seus recursos, os atos e as falas. 
Sabia que o horizonte também era apenas uma ilusão. Que ele seguiria em frente se seguisse em frente a minha visão. Assim também discursariam os que buscavam enganar as gentes. 
Não pude deixar de lembrar de uma frase de Joseph Goebbels, que foi o Ministro da Propaganda alemão do 3º Reich, algo como o grande marqueteiro de Hitler. Ele disse certa vez: “Uma mentira repetida muitas vezes pode se tornar verdade”. O que vemos se confirmar em tantas oportunidades, ainda hoje, especialmente pelos atos e falas daqueles que não gostam de democracia, mesmo que se digam de esquerda ou de direita.
Fechei os olhos. Olhei mais um tanto do horizonte se estendendo num mar adiante de mim. Aquela água balançando-se por todo aquele largo trazia a força da ponderação. 
Sabia ser preciso continuar. A convicção é uma força humana. 
Lento silêncio. 
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